A recente entrevista concedida pelo presidente da Câmara de Vereadores de Concórdia e pré-candidato a deputado federal pelo MDB, Closmar Zagonel, ao jornalista Clélio Ivo Dal Piaz, deixou evidente uma indefinição política que precisará ser resolvida nas próximas semanas. Com as convenções partidárias marcadas para o dia 1º de agosto, chegará o momento em que os candidatos terão de dizer claramente ao eleitor qual projeto pretendem defender para o Governo de Santa Catarina.
Durante a entrevista, Zagonel fez elogios tanto ao governador Jorginho Mello (PL) quanto ao pré-candidato ao Governo do Estado João Rodrigues (PSD). Disse ser amigo de Jorginho, destacou os investimentos realizados pelo Governo do Estado na região e afirmou que o governador faz um “baita governo”. Logo em seguida, também elogiou João Rodrigues, lembrando sua trajetória política, o fato de nunca ter perdido uma eleição e classificando o prefeito de Chapecó como um “baita candidato”.
O problema é que, para quem pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, chega um momento em que não basta reconhecer as qualidades dos dois lados. É preciso fazer uma escolha.
No plano regional, Zagonel já definiu seu caminho. O presidente da Câmara anunciou que fará dobradinha com o ex-prefeito Edilson Massocco (PL), justificando a decisão pelo acordo político firmado entre MDB e PL nas eleições municipais. Porém, quando o assunto é a disputa pelo Governo do Estado, a posição continua indefinida.
A situação chama ainda mais atenção porque o MDB integra oficialmente a aliança liderada por João Rodrigues. O partido terá o deputado federal Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice-governador e o ex-prefeito de Jaraguá do Sul Antídio Lunelli (MDB) como candidato ao Senado. Na eleição passada, o próprio Zagonel fez campanha em Concórdia para Chiodini e Antídio e mantém proximidade política com ambos.
Outro episódio que reforçou essa percepção foi a ausência de Zagonel no grande encontro regional realizado recentemente em Concórdia por João Rodrigues, que reuniu lideranças do PSD, MDB, PP e União Brasil, entre elas Carlos Chiodini, Antídio Lunelli e Esperidião Amin (PP).
Ao mesmo tempo, Zagonel procura preservar a boa relação com Jorginho Mello e com o PL, partido aliado na política local. O discurso de equilíbrio pode ser compreensível neste momento de pré-campanha, mas tende a perder espaço à medida que a eleição se aproxima.
Para quem pretende representar Santa Catarina na Câmara dos Deputados, a escolha de quem apoiar para governar o Estado é tão importante quanto a decisão de colocar o próprio nome à disposição do eleitor. Ambas exigem posicionamento e coragem política.
Com as convenções se aproximando, permanecer em cima do muro dificilmente será uma estratégia sustentável. Quem tenta agradar simultaneamente os dois principais projetos políticos do Estado corre o risco de perder apoio dos dois lados. E, acima de tudo, deixa o eleitor sem saber qual projeto efetivamente pretende defender em Brasília.






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