COMENTÁRIO | Merisio tem o desafio de consolidar o campo da esquerda em Santa Catarina

A convenção conjunta do Campo Democrático, marcada para esta terça-feira (21), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), representa mais do que a oficialização de uma chapa para as eleições de 2026. Na minha avaliação, marca o início do principal desafio da candidatura de Gelson Merisio (PSB): consolidar o campo da esquerda em Santa Catarina.

 

A frente será formada por Gelson Merisio como candidato ao Governo do Estado e Angela Albino (PDT) como candidata a vice-governadora. Na disputa ao Senado, a coligação terá Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) como candidatos. A composição ainda reúne uma característica importante: cinco mulheres integram a chapa, entre a candidata a vice-governadora e as suplentes ao Senado.

 

Décio Lima terá Elaine Cristina Huber (PDT) como primeira suplente e Fernanda Klitzke (PT) como segunda suplente. Na chapa de Afrânio Boppré, a primeira suplente será Luci Choinacki (PT), enquanto Aparecida da Silva (PT) ocupará a segunda suplência. 

 

Apesar de hoje liderar uma frente de esquerda e centro-esquerda, Merisio construiu sua trajetória política em outro campo ideológico. Foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e candidato ao Governo de Santa Catarina pelo PSD. Agora, assume a missão de unificar um eleitorado historicamente identificado com partidos como PT, PSB, PDT e PSOL.

 

Esse, na minha avaliação, será o primeiro grande teste da campanha.

 

As pesquisas eleitorais divulgadas até o momento mostram Merisio oscilando entre 6% e 8% das intenções de voto. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com cerca de 25% na pesquisa mais recente do IPC. A diferença entre os dois números demonstra que há espaço para crescimento caso a candidatura consiga consolidar o eleitorado de esquerda no Estado.

 

Na minha avaliação, esse é o principal objetivo da campanha: aproximar Gelson Merisio da votação obtida por Lula em Santa Catarina. Se isso acontecer, a disputa pelo Governo do Estado poderá ganhar um novo cenário e aumentar as chances de segundo turno.

 

No Senado, a principal aposta da frente é Décio Lima. Candidato ao Governo do Estado em 2022, ele levou o PT pela primeira vez ao segundo turno da eleição catarinense e obteve uma votação muito próxima da alcançada por Lula. Agora, tentará novamente concentrar esse eleitorado durante a campanha.

 

Ao mesmo tempo, a disputa pelas duas vagas ao Senado conta com vários candidatos competitivos do campo conservador. Caso essa divisão permaneça até a eleição, ela poderá abrir espaço para o crescimento de uma candidatura da esquerda.

 

A campanha, porém, está apenas começando. As convenções partidárias marcam o início oficial da corrida eleitoral e o comportamento do eleitorado poderá mudar ao longo dos próximos meses.