A derrota do Projeto de Lei do Legislativo nº 25/2026, de autoria da vereadora Ingrid Fiorentin (PT), acabou expondo muito mais do que uma divergência sobre o conteúdo da proposta. O resultado da votação mostrou, principalmente, a fragilidade da articulação política da base governista dentro da Câmara de Vereadores de Concórdia.
O projeto, de caráter autorizativo, foi aprovado por 8 votos a 4. Na prática, mesmo com a orientação da liderança do governo, a base não conseguiu construir força suficiente para derrotar o projeto.
O placar chamou atenção porque demonstrou a dificuldade da líder do governo, vereadora Rutineia Rossi (PL), em manter alinhamento entre os vereadores considerados governistas. Ao final da votação, apenas três parlamentares acompanharam a posição defendida pela liderança.
Mais do que o mérito da proposta, o episódio virou um termômetro político da atual capacidade de mobilização do governo dentro da Câmara.
Nos bastidores, vereadores avaliam que a base atravessa um dos momentos mais desorganizados da atual legislatura, com dificuldade de alinhamento, falta de articulação prévia e ausência de construção política antes das votações mais sensíveis.
Outro ponto que voltou ao debate político foi a postura do presidente da Câmara, Closmar Zagonel (MDB). Parlamentares observam que, quando Zagonel entra diretamente nas articulações e atua nos bastidores para construir maioria, o governo normalmente consegue evitar derrotas mais amplas.
Já em votações nas quais o presidente da Câmara não participa ativamente da construção política, a base governista tem demonstrado dificuldade de organização e perda de capacidade de convencimento dentro do plenário.
A goleada de 8 a 4 reforçou justamente essa percepção nos corredores da Câmara: sem uma articulação mais forte de Zagonel ao lado da liderança do governo, o Executivo tem encontrado dificuldades cada vez maiores para sustentar sua base política no Legislativo.





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