A Prefeitura de Concórdia anunciou nesta terça-feira (12) o início dos trabalhos de limpeza e desassoreamento do Rio dos Queimados e de seus afluentes, em ação coordenada pela Secretaria Municipal de Gestão Urbana e orientada pela Defesa Civil.
Segundo a nota oficial da assessoria de imprensa, o objetivo é prevenir alagamentos na área central da cidade diante das previsões climáticas e dos possíveis impactos do El Niño. O serviço começou nas proximidades da ponte da rua João Suzin Marini e está sendo executado por empresa terceirizada.
O problema é que, segundo informações apuradas pela Página Quatro junto a fontes palacianas, a própria Prefeitura de Concórdia possui pelo menos duas máquinas da mesma categoria das utilizadas pela terceirizada. Uma delas estaria parada há cerca de uma semana no parque de máquinas do município, enquanto outra permanece parada em um bairro da cidade.
A situação levanta questionamentos inevitáveis:
— Qual a razão da contratação de equipamento terceirizado se o município possui máquinas próprias aptas para executar o serviço?
— Os equipamentos da prefeitura estão sem manutenção?
— Faltam operadores?
— Houve estudo técnico ou econômico demonstrando que terceirizar seria mais vantajoso ao interesse público?
— Quem autorizou a contratação e qual o custo total da operação?
Quando envolve dinheiro público, a discussão deixa de ser apenas administrativa e passa a ser também uma questão de responsabilidade com os recursos do contribuinte.
É evidente que a limpeza do Rio dos Queimados é necessária e urgente. O problema não está na execução do serviço em si, mas na necessidade de transparência sobre a utilização — ou não — da estrutura que o próprio município já possui.
Se há máquinas públicas disponíveis, mas paradas, enquanto equipamentos privados são contratados para realizar exatamente o mesmo tipo de serviço, cabe ao governo municipal explicar os motivos da decisão.
Ainda mais em um momento em que a própria administração frequentemente argumenta limitações financeiras para justificar cortes, prioridades e dificuldades operacionais em outras áreas.
Dinheiro público exige eficiência, planejamento e justificativa técnica. E isso vale também para retroescavadeiras e escavadeiras hidráulicas.






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