Seu Mércio andou pelos bairros de Concórdia e constatou mais duas empresas abandonando canteiros de obras. Ontem passou pelo bairro Poente do Sol II, ouviu reclamações de moradores e também recebeu uma mensagem do bairro Natureza. Foi conferir de perto e constatou o abandono.
A conclusão dele foi direta: as máquinas das obras públicas de Concórdia estão “fugindo” dos canteiros antes mesmo de as obras engrenarem.
“Olha, guri… tem máquina que mal chegou na obra e já tá indo embora. O povo já começou a chamar de máquina fujona”, disparou.
A crítica surge em meio a uma sequência de problemas envolvendo obras públicas anunciadas em ritmo acelerado pela Prefeitura de Concórdia. Em vários pontos da cidade, moradores relatam abandono parcial de serviços, paralisações e sumiço repentino de equipamentos.
Seu Mércio resume a situação do jeito dele:
“Botaram a carroça na frente dos bois. Primeiro anunciaram tudo, fizeram lançamento, vídeo, promessa e propaganda. Depois foram correr atrás de execução, fiscalização e empresa que desse conta.”
Nos bairros, o sentimento é de frustração. No Poente do Sol II, moradores reclamam que as máquinas iniciaram movimentações e depois desapareceram. Já no bairro Natureza, moradores também relatam interrupções e abandono de frentes de trabalho.
Em alguns locais, segundo moradores, a situação ficou ainda pior depois da passagem das empresas. Máquinas chegaram, mexeram nas vias, patrolaram trechos inteiros e abandonaram os serviços antes da conclusão. Com chuva e barro, alguns pontos acabaram virando verdadeiros atoleiros.
“Tem lugar que o pessoal diz que, se tivesse deixado como estava antes, tava menos pior. Agora mexeram, largaram e complicaram ainda mais”, comentou seu Mércio.
Para ele, a situação das máquinas pode ser resumida como uma das pérolas do futebol brasileiro, frase atribuída ao atacante Nunes, do Flamengo.
“Fiz que fui, não fui e acabei fondo.”
Depois da comparação com o futebol, seu Mércio disse que o cenário das obras em Concórdia já misturou a frase folclórica do atacante com o famoso “Bonde das Tchutchucas”. Só que, segundo ele, na cidade o negócio já virou o “Bonde das Patrolas”.
“Só nas patrola…
é mais uma obra que vai começar…
só nas patrola…
grava vídeo, faz a foto antes da empresa abandonar…
só nas patrola…
anuncia e vamos discursar…
só nas patrola…
é máquina que chega no bairro, começa a obra e daqui a pouco vai abandonar…”
Segundo comentários que circulam entre moradores e nos bastidores políticos, algumas empresas teriam iniciado os serviços sem estrutura suficiente para manter o ritmo das obras.
“As últimas informações do GPS da rádio peão davam conta que algumas máquinas já tinham sumido do trecho. Desse jeito daqui a pouco vai ter obra inaugurada antes de começar”, ironizou.
A situação começa a levantar questionamentos sobre planejamento, capacidade operacional das empresas contratadas e o ritmo acelerado com que parte das licitações foi lançada nos últimos meses.
Nos bastidores políticos, cresce a avaliação de que houve uma tentativa de criar uma sensação de grande volume de obras simultaneamente, mas sem que toda a estrutura necessária estivesse consolidada.
Enquanto isso, moradores convivem com canteiros incompletos, serviços interrompidos e a sensação de que algumas obras começaram sem garantia de continuidade.
E seu Mércio encerra com outra frase típica:
“Anunciar obra é fácil, dar sensação de pré-campanha é mole. Quero ver é segurar as máquinas no lugar até terminar.”






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