Retrato da falta de planejamento: vereadores aprovam requerimento solicitando à Prefeitura manutenção em obras abandonadas em Concórdia

O cenário das chamadas “máquinas fujonas”, ironizado ontem por Seu Mércio na Página Quatro, ganhou agora reconhecimento oficial da própria Câmara de Vereadores de Concórdia.

 

Em meio ao aumento das reclamações de moradores sobre obras abandonadas, ruas patroladas e serviços interrompidos em diversos bairros da cidade, os vereadores aprovaram o Requerimento nº 111/2026 solicitando que a Prefeitura execute manutenção emergencial nas vias afetadas por obras de pavimentação paralisadas.

 

O documento foi apresentado pelo vereador Wagner Luis Bee e recebeu a assinatura de todos os vereadores do Legislativo concordiense.

 

Na prática, o requerimento acaba funcionando como um retrato oficial do caos enfrentado atualmente em parte das obras públicas do município.

 

Câmara reconhece abandono de obras

 

No texto aprovado, os vereadores afirmam que moradores convivem com obras “paralisadas, atrasadas ou aparentemente abandonadas pelas empresas executoras”.

 

O requerimento solicita que a Prefeitura realize serviços emergenciais de:

 

– cascalhamento

– britagem

– patrolamento

– compactação

 

A intenção é minimizar os transtornos enquanto contratos rescindidos ou em processo de rescisão seguem sem solução definitiva.

 

O próprio documento reconhece que a situação tem causado:

 

– barro e poeira

– dificuldades de acesso às residências

– riscos a pedestres

– problemas no transporte escolar

– prejuízos à circulação de veículos

– dificuldades na coleta de lixo

– transtornos em atendimentos emergenciais

 

O que Seu Mércio disse virou documento oficial

 

A aprovação do requerimento ocorre um dia depois da publicação da coluna “O caos das máquinas fujonas em Concórdia”, na qual Seu Mércio ironizou o desaparecimento de máquinas e empresas de canteiros de obras em bairros como Poente do Sol II e Natureza.

 

Na coluna, ele resumiu a situação com uma frase direta:

 

“Botaram a carroça na frente dos bois. Primeiro anunciaram tudo, fizeram lançamento, vídeo, promessa e propaganda. Depois foram correr atrás de execução, fiscalização e empresa que desse conta.”

 

Agora, a própria Câmara acabou reconhecendo oficialmente que há ruas parcialmente destruídas, obras interrompidas e moradores convivendo com abandono e insegurança.

 

Problema virou questão coletiva

 

O fato de o documento ter sido assinado por vereadores da base governista e também da oposição demonstra que a situação ultrapassou disputa política e virou uma preocupação generalizada dentro do Legislativo.

 

Nos bastidores, cresce a avaliação de que houve aceleração no anúncio de obras sem que toda a estrutura operacional estivesse consolidada para garantir continuidade dos serviços.

 

Enquanto isso, moradores convivem diariamente com ruas abertas, barro, poeira e serviços interrompidos.

 

Vereadores que assinam o requerimento

 

Assinam o documento:

 

– Wagner Luis Bee

– Edevandro da Rocha

– Marcos Antônio Berta

– Honestino Malacarne Júnior

– Closmar Zagonel

– Cézar Luiz Pichetti Filho

– Rutineia Rossi

– Ingrid Ackermann Fiorentin

– André Holdefer

– Evandro Mocelin

– Evandro Pegoraro

– Fernanda Roberta Signor Dilda

– Margarete Poletto Dalla Costa