Vereadora chama críticos de “hipócritas” e “medíocres”, afirma que tentam tirá-la do PL e acusa liderança de impedir a criação do PL Mulher em Concórdia
Em um vídeo de aproximadamente 12 minutos intitulado “Passando a limpo”, a vereadora Fernanda Dilda (PL), líder da bancada do partido na Câmara de Concórdia, fez seu pronunciamento mais duro desde o início da campanha eleitoral.
A publicação foi acompanhada da frase: “Que o povo de Concórdia julgue! Chega de mediocridade e hipocrisia”.
Fernanda reagiu aos ataques que afirma estar recebendo por não pedir expressamente votos para Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina. Durante o pronunciamento, chamou seus críticos de “hipócritas” e “medíocres”, afirmou que não deve nada ao candidato e acusou pessoas de Concórdia de trabalharem para vê-la fora do partido.
“Eu não devo nada para Carlos Bolsonaro. Absolutamente nada”, declarou.
A vereadora ressaltou, porém, que nunca atacou Carlos Bolsonaro, tentou desconstruir sua candidatura ou pediu votos para um concorrente ao Senado de outro partido.
Pressão nas redes sociais
Fernanda exibiu comentários recebidos em suas redes sociais nos quais é acusada de infidelidade partidária por não mencionar Carlos Bolsonaro em suas manifestações eleitorais.
Segundo a vereadora, alguns seguidores chegaram a marcar o candidato nas publicações, fazendo com que a discussão chegasse ao próprio Carlos Bolsonaro.
Fernanda acredita que pessoas de Concórdia estejam incentivando os ataques e estabelecendo uma ponte com grupos ligados ao candidato.
“Tem alguém de Concórdia que está interessado e me vê fora do PL”, afirmou.
A vereadora disse que não aceita ser obrigada a publicar o nome de Carlos Bolsonaro nem a fazer campanha expressa para ele.
Crítica a Edilson Massocco
O momento politicamente mais forte do vídeo ocorre quando Fernanda critica o ex-prefeito e candidato a deputado estadual Edilson Massocco (PL), apontado por ela como a liderança que teria impedido a criação do PL Mulher em Concórdia.
Fernanda contou que participou, ao lado de outra vereadora, de um encontro nacional de mandatários realizado em Brasília com a presença de Michelle Bolsonaro. Na ocasião, foi apresentado um projeto voltado à formação e à ampliação da participação feminina nos diretórios municipais.
Segundo Fernanda, a iniciativa não foi implantada em Concórdia porque Massocco não permitiu.
“Sabe por que não tem PL Mulher de Concórdia? Porque a liderança do PL de Concórdia não permite”, declarou.
Embora não pronuncie o nome de Massocco nesse trecho do vídeo, a referência é dirigida ao ex-prefeito e candidato a deputado estadual, considerado a principal liderança local da sigla.
Fernanda ainda questionou se existe receio em relação ao surgimento de novas lideranças femininas dentro do partido.
“Qual é o medo de novas lideranças serem formadas e, principalmente, de mulheres serem formadas como novas lideranças?”, perguntou.
Apoios diferentes dos candidatos locais
Durante o vídeo, Fernanda mostrou os materiais eleitorais que afirma distribuir em Concórdia. A vereadora reafirmou apoio a Ana Campagnolo, candidata a deputada estadual, e Fernando Cordeiro, candidato a deputado federal.
A escolha deixa Fernanda distante dos candidatos apoiados por parte da estrutura local do PL. Ela não pede votos para Edilson Massocco, que concorre à Assembleia Legislativa, nem para Carlos Bolsonaro ao Senado.
Ao mesmo tempo, Fernanda mostrou materiais de Caroline de Toni, candidata ao Senado, além de peças das candidaturas do PL ao governo e à Presidência.
“Esse é o material que eu uso”, afirmou repetidamente.
“Querem me ver fora do PL”
A vereadora declarou que existe uma movimentação para desgastá-la internamente e retirá-la do partido. Segundo Fernanda, os ataques não partem apenas de usuários de fora do município, mas também de pessoas ligadas à política concordiense.
Ela deixou claro que pretende continuar na vida pública e sinalizou que poderá disputar novamente uma eleição daqui a dois anos.
Fernanda afirmou que, mesmo que seja expulsa do PL ou impedida de concorrer pela sigla, seu futuro político será decidido pelos eleitores de Concórdia.
“Quem vai decidir se eu continuarei ou não na política é o povo de Concórdia”, declarou.
Fundo Eleitoral e “dois pesos e duas medidas”
Na parte final do vídeo, Fernanda lembrou que foi criticada durante a campanha de 2024 por utilizar recursos do Fundo Eleitoral.
Segundo ela, as mesmas pessoas que a atacaram agora deixam de questionar candidatos do PL que também utilizam dinheiro do fundo público. A vereadora citou candidaturas a deputado, ao governo, ao Senado e à Presidência.
“Vocês usam dois pesos e duas medidas. Seus hipócritas”, disparou.
Fernanda afirmou que também discorda dos valores destinados ao Fundo Eleitoral, mas considera incoerente condenar apenas determinados candidatos pelo uso de um recurso permitido pela legislação.
Recado ao “desocupado premium”
Fernanda também dirigiu críticas a um adversário que não identificou nominalmente, mas classificou como “desocupado premium”.
Segundo a vereadora, essa pessoa passa o dia produzindo comentários e publicações contra Ana Campagnolo, uma das principais candidatas apoiadas por Fernanda nesta campanha.
“Tenho um desocupado premium”, ironizou.
Em outro momento, Fernanda voltou a mencionar o crítico e afirmou que ele “não tem nada para fazer o dia inteiro” e “vive de atacar a deputada Ana Campagnolo”.
A vereadora ainda desafiou esse grupo a cobrar outros candidatos do PL com a mesma intensidade utilizada para questionar suas escolhas políticas e eleitorais. Para Fernanda, os ataques demonstram que seus críticos adotam critérios diferentes conforme o candidato envolvido.
Divisão exposta dentro do PL
Mais do que uma resposta aos comentários recebidos nas redes sociais, o vídeo torna público um confronto que já vinha sendo percebido nos bastidores do PL de Concórdia.
Líder da bancada do partido na Câmara, Fernanda agora enfrenta abertamente Edilson Massocco, rejeita imposições relacionadas aos seus apoios eleitorais e acusa a liderança local de impedir a organização feminina da sigla.
O pronunciamento também amplia o distanciamento entre Fernanda e a estrutura política que sustenta a candidatura de Massocco à Assembleia Legislativa, expondo uma divisão interna do PL concordiense em plena reta final da campanha.






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