Propaganda de Zagonel sem João Rodrigues amplia descontentamento no MDB

Material que circula em Concórdia deixa candidato do PSD ao Governo de fora e troca Esperidião Amin por Caroline de Toni para o Senado; decisões aumentam pressão sobre a candidatura do presidente da Câmara


A circulação de material de campanha do candidato a deputado federal Closmar Zagonel (MDB), presidente da Câmara de Vereadores de Concórdia, aumentou o desconforto existente dentro do MDB em relação às escolhas feitas pela sua campanha para as eleições deste ano.

 

Na peça que começou a circular em Concórdia, Zagonel aparece ao lado de Edilson Massocco (PL) para deputado estadual, Antídio Lunelli (MDB) e Caroline de Toni (PL) para o Senado, Jorginho Mello (PL) para governador e Flávio Bolsonaro (PL) para presidente.

 

A ausência que mais chama atenção dentro do MDB é a de João Rodrigues (PSD). O candidato ao Governo integra a chapa apoiada oficialmente pelo MDB catarinense e tem como vice Carlos Chiodini (MDB). Mesmo assim, a campanha de Zagonel optou por apresentar Jorginho Mello ao eleitor.

 

A decisão já vinha provocando descontentamento entre lideranças emedebistas, mas ganha outro peso a partir do momento em que a escolha deixa os bastidores e passa a aparecer efetivamente no material distribuído durante a campanha.

 

Outro ponto que chama atenção é a composição para o Senado. Antídio Lunelli (MDB) permanece como primeiro nome, mas Esperidião Amin (PP), que integra a composição estadual ao lado de João Rodrigues e Lunelli, não aparece. Em seu lugar, o material apresenta Caroline de Toni (PL) como segunda opção para o Senado.

 

Com isso, das principais candidaturas da composição estadual apoiada pelo MDB, Zagonel mantém Lunelli, mas deixa de fora João Rodrigues e Amin.

 

Nos bastidores, a avaliação é de que as escolhas podem aumentar a pressão sobre a candidatura de Zagonel dentro do próprio MDB. O principal temor é de que o descontentamento deixe de ser apenas político e passe a produzir reflexos práticos na campanha, com redução do engajamento e do apoio de lideranças emedebistas à candidatura a deputado federal.

 

A situação ganha importância especialmente porque Zagonel depende da mobilização regional do MDB para fortalecer sua candidatura à Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, setores do partido trabalham pela eleição de João Rodrigues ao Governo e pela chapa ao Senado formada por Lunelli e Amin.

 

A propaganda colocada nas ruas, portanto, torna pública uma divergência que até então poderia ser administrada internamente: Zagonel é candidato pelo MDB, mas apresenta ao eleitor uma composição majoritária diferente daquela apoiada pelo partido em Santa Catarina.

 

Agora, a questão é saber até onde essa opção eleitoral poderá afetar a própria estrutura de apoio de Zagonel dentro do MDB e qual será a reação das lideranças partidárias diante de um material que já está circulando em Concórdia.