Tarcísio e Haddad nacionalizam primeiro debate em SP com embates sobre educação e segurança

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo nas eleições de 2026 colocou frente a frente, na noite deste domingo (9), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Promovido pela Band, o encontro foi marcado por confrontos sobre educação, segurança pública, infraestrutura e a relação de São Paulo com o governo federal, além de referências ao presidente Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. 


Os dois foram os únicos candidatos a participar do debate. Tarcísio e Haddad já haviam se enfrentado na eleição de 2022, quando o atual governador venceu o petista no segundo turno. Agora, voltam a protagonizar a disputa pelo comando do maior colégio eleitoral do país. 

 

Sem ataques pessoais como principal característica, o debate teve forte confronto de dados e versões sobre os resultados das administrações estadual e federal.

 

Educação abre o confronto

 

A educação foi um dos primeiros temas colocados em discussão. Haddad criticou os resultados de São Paulo e afirmou que o Estado perdeu posições em indicadores de qualidade do ensino médio, sendo ultrapassado por estados com menos recursos.


O petista também criticou o modelo de utilização de plataformas digitais na rede estadual e defendeu maior valorização e apoio aos professores.

 

Tarcísio rebateu as críticas e destacou ações de seu governo. Citou avanços na alfabetização, expansão das escolas de tempo integral, ensino profissionalizante, recuperação da aprendizagem e programas de tutoria.

 

Segundo o governador, São Paulo passou de 12% para 42% dos estudantes do ensino médio em dupla formação, combinando ensino regular e profissionalizante. Tarcísio argumentou ainda que a avaliação dos resultados educacionais deveria levar em consideração os estudantes da educação profissional. 

 

Segurança e crime organizado

Outro dos principais embates ocorreu na segurança pública. Haddad acusou o governo estadual de enfrentar problemas com a presença do crime organizado e citou a atuação do Comando Vermelho em São Paulo.

 

O candidato do PT também fez críticas à gestão do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite, atualmente candidato ao Senado.

 

Tarcísio respondeu afirmando que São Paulo registra os menores indicadores históricos de homicídios, latrocínios, roubos e furtos. O governador também destacou a realização de mais de 500 operações conjuntas com o Ministério Público e a Polícia Federal. 

A situação da Cracolândia também entrou no confronto. Tarcísio defendeu a atuação conjunta do Estado com a Prefeitura de São Paulo, Ministério Público, Judiciário e outras instituições e citou medidas de combate ao tráfico, atendimento a dependentes e assistência social.

 

A violência contra a mulher também apareceu no debate. Tarcísio destacou a ampliação da rede de proteção e programas estaduais de atendimento, enquanto Haddad questionou os resultados da política de segurança do atual governo.

 

Lula e Bolsonaro entram no debate

 

Apesar de a disputa ser estadual, Lula e Bolsonaro apareceram diversas vezes.

 

Haddad procurou destacar investimentos e parcerias do governo federal com São Paulo e acusou Tarcísio de omitir a participação da União em projetos realizados no Estado.

 

Um dos exemplos foi a desocupação da Favela do Moinho, na capital. Haddad lembrou a participação federal na cessão da área e na disponibilização de recursos para as famílias.

 

Tarcísio rebateu afirmando que o governo federal estaria dificultando operações financeiras de interesse de São Paulo, incluindo empréstimos internacionais e financiamentos.

 

Haddad também tentou associar o governador ao grupo político de Bolsonaro. Em determinado momento, Tarcísio disse que o adversário estava excessivamente concentrado no ex-presidente. Mais adiante, porém, o governador fez questão de demonstrar sua ligação política com Bolsonaro, manifestando gratidão pelas oportunidades recebidas durante sua trajetória. 

O debate também passou por mudanças climáticas, infraestrutura e saúde. Haddad relacionou aliados políticos do governador a posições contrárias à vacinação e criticou o grupo político de Tarcísio. O governador, por sua vez, direcionou parte de suas críticas ao desempenho do governo Lula, principalmente na economia.

 

Disputa repete confronto de 2022

 

O encontro deste domingo retomou uma disputa já conhecida dos paulistas. Em 2022, Tarcísio e Haddad chegaram ao segundo turno, com vitória do atual governador.

 

Quatro anos depois, os dois novamente ocupam posição de destaque na corrida estadual. Pesquisa Datafolha divulgada em julho apontou Tarcísio com 46% das intenções de voto e Haddad com 30%. Os demais nomes testados apareciam com 5% ou menos. 

 

O primeiro confronto televisivo mostrou também que, embora a eleição seja para o Governo de São Paulo, a disputa estadual tende a manter forte conexão com o cenário nacional, com Tarcísio defendendo seu governo e mantendo proximidade com o campo bolsonarista, enquanto Haddad procura associar sua candidatura às ações e investimentos do governo Lula.