Como Caiado pode ser o mais competitivo contra Lula no segundo turno se tem apenas 7% no primeiro, contra 33% de Flávio Bolsonaro?

Pela segunda vez em uma pesquisa de intenções de voto para a Presidência da República, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece como o adversário mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. A mais recente foi divulgada pelo Real Time Big Data e levanta uma dúvida que tem intrigado muitos eleitores: como um candidato com apenas 7% das intenções de voto no primeiro turno pode chegar a 44% em uma disputa direta, enquanto Flávio Bolsonaro, que tem 33% no primeiro turno, alcança apenas 42%?


A resposta está na metodologia da pesquisa e, principalmente, na leitura política dos seus números.

 

No primeiro turno, o instituto apresenta ao entrevistado todos os candidatos e pergunta em quem ele votaria. Nesse cenário, Lula aparece com 40%, Flávio Bolsonaro com 33% e Ronaldo Caiado com 7%.

 

Depois, a pesquisa muda completamente o cenário. O eleitor deixa de escolher entre vários candidatos e passa a decidir apenas entre dois nomes. Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, Lula tem 45% e Flávio 42%. Já no confronto entre Lula e Caiado, o placar é de 44% para Caiado e 43% para Lula. Em ambos os casos, os resultados estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico.

 

O dado mais interessante, porém, está no comportamento do eleitorado. Na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, a polarização permanece praticamente intacta: o eleitor de Lula continua com Lula, e o eleitor de Bolsonaro permanece com Flávio. Há pouca migração entre os dois polos.

 

Quando o adversário passa a ser Caiado, a dinâmica muda. Os números indicam que ele preserva praticamente todo o eleitorado da direita, mas ainda consegue atrair votos de segmentos que hoje não migram para um candidato identificado exclusivamente com o bolsonarismo, especialmente eleitores de centro e da centro-direita.

 

Essa é a principal leitura política da pesquisa: os dados sugerem que a direita brasileira pode ser eleitoralmente maior do que o bolsonarismo. Caiado parece reunir tanto o eleitorado conservador quanto uma parcela do centro político, ampliando sua competitividade em um eventual segundo turno. É justamente essa capacidade de agregar apoios além da base bolsonarista que ajuda a explicar por que um candidato com 7% no primeiro turno aparece, na simulação, dois pontos à frente de Flávio Bolsonaro em um confronto direto com Lula.