STF autoriza PF a investigar ministro catarinense Marco Buzzi por suposta venda de sentenças

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro catarinense do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, no âmbito da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais.


A autorização foi concedida após a PF apontar que familiares do magistrado apareceram em documentos e materiais apreendidos durante as investigações. Com a decisão, Buzzi passa a integrar formalmente o inquérito conduzido pela Polícia Federal, que busca esclarecer se há elementos que indiquem eventual participação do ministro no esquema investigado. Até o momento, a PF afirma que ainda não há provas suficientes para concluir pelo envolvimento do magistrado, motivo pelo qual foram autorizadas novas diligências. 

 

A Operação Sisamnes investiga um suposto esquema de venda de sentenças no STJ que teria atuado entre 2019 e 2023, envolvendo lobistas e ex-servidores da Corte. A Procuradoria-Geral da República já apresentou denúncia contra investigados por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e exploração de prestígio. 

 

Além dessa nova investigação, Marco Buzzi já está afastado das funções no STJ em razão de um Processo Administrativo Disciplinar que apura acusações de importunação sexual e assédio sexual feitas por duas mulheres. O julgamento administrativo está marcado para o dia 6 de agosto e ocorrerá sob sigilo. Paralelamente, também existe um inquérito criminal em tramitação no STF sobre essas acusações, em razão do foro por prerrogativa de função do ministro. 

 

Em nota, a defesa de Marco Buzzi negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que o ministro não mantém relação com as atividades profissionais de seus familiares, diz não ter conhecimento de que seja investigado e sustenta que as acusações são infundadas. 

 

Essa investigação marca a ampliação da Operação Sisamnes sobre integrantes do STJ e busca esclarecer se o material apreendido durante a apuração revela algum vínculo do magistrado com o suposto esquema de negociação de decisões judiciais. 

 

Essa abordagem deixa claro o estágio atual do caso: há autorização para investigar, mas não há acusação formal nem conclusão de que o ministro tenha participado do suposto esquema, preservando a precisão jurídica da notícia.