Nesta terça-feira (3) tivemos o desfecho de uma longa novela em Concórdia: foi anunciada a ordem de serviço para a execução da pavimentação da Rua Rosa Chiossi, acesso à comunidade de Frei Lency, uma reivindicação antiga dos moradores daquela região.
Mais do que uma obra importante para a mobilidade urbana, o asfaltamento da Rosa Chiossi é também um exemplo claro de algo que deveria ser mais comum na gestão pública: a continuidade administrativa.
Trata-se, na prática, de uma obra que atravessa dois governos.
O projeto executivo foi elaborado ainda na gestão do prefeito Rogério Pacheco. Naquela época, o planejamento avançou, o projeto foi estruturado e os recursos ficaram reservados em caixa para a execução da obra.
Havia, no entanto, um entrave ambiental. O processo ficou parado por um longo período no Instituto do Meio Ambiente (IMA). Foram cerca de 274 dias aguardando a liberação necessária para que o projeto pudesse seguir adiante.
Coube ao atual governo do prefeito Edilson Massocco resolver essa etapa e dar sequência ao processo, culminando agora com a assinatura da ordem de serviço.
E é justamente aqui que entra uma reflexão interessante.
O prefeito Massocco raramente faz referência ao período de 2017 a 2022 — justamente o período em que ele foi vice-prefeito no governo Rogério Pacheco. No entanto, goste-se ou não, esse capítulo faz parte da própria história política dele.
Na vida pública, ninguém começa do zero.
Quem ocupa cargos públicos constrói sua trajetória ao longo do tempo, com acertos e erros, avanços e dificuldades. E no caso daquele período específico, é inegável que houve muito trabalho de planejamento e organização administrativa que permitiu que várias obras saíssem do papel posteriormente.
Razão pela qual causa até certa estranheza o fato de o prefeito evitar referências àquele período da própria trajetória política. Afinal, não há motivo para renegar um passado que também ajudou a construir o presente administrativo da cidade.
No fundo, quem tenta esquecer parte da própria história acaba revelando mais de si mesmo do que imagina. Mas essa já é uma análise que cabe talvez à psicanálise.
Eu sou jornalista. E jornalista trabalha com fatos.
E o fato é este — e ele é relevante: a obra da Rua Rosa Chiossi é resultado do trabalho de dois governos.
Um que planejou, estruturou o projeto e garantiu os recursos.
O outro que recebeu o projeto, resolveu entraves ambientais, licitou a obra e agora deu a ordem de serviço para a execução.
Quando há continuidade na gestão pública, quem ganha é a população.
O que é bom precisa ser continuado.
O que não está adequado precisa ser corrigido.
Reconhecer o passado não diminui ninguém. Pelo contrário, demonstra maturidade política.
Porque passado, presente e futuro fazem parte da mesma história.
A ordem de serviço está assinada. A empresa responsável informou que pretende iniciar as obras imediatamente. E a expectativa da comunidade é exatamente essa: que o trabalho comece logo e seja concluído dentro do prazo.
Concórdia vive hoje um momento em que várias obras foram anunciadas, algumas começaram e acabaram parando, enquanto outras sequer saíram do papel.
E, como costuma dizer o próprio prefeito Edilson Massocco, obra boa é obra com começo, meio e fim.






Recebe nossa publicações direto no seu email!