Concórdia tem mais de 50 ruas com ordens de serviço assinadas pelo prefeito Edilson Massocco, mas obras ainda não começaram

Com início das obras atrasado, moradores começam a questionar se os anúncios sairão do papel

 

Para além das obras que começaram e estão parando e dos anúncios frequentes de novos asfaltamentos, Concórdia convive hoje com um outro problema na área de infraestrutura urbana: ruas que já tiveram ordem de serviço assinada pelo prefeito Edilson Massocco (PL), mas onde as obras sequer foram iniciadas.

 

Conforme informações recebidas pela Página Quatro, o município já tem mais de 50 obras de pavimentação autorizadas oficialmente, mas que ainda não tiveram início efetivo.

 

Em vários casos, o que existe no local é apenas a placa anunciando a obra. Nada de máquinas trabalhando ou de qualquer tipo de serviço concreto iniciado.

 

Nos últimos meses, o prefeito Edilson Massocco tem intensificado os anúncios de pavimentações em diferentes bairros e comunidades do município. O problema é que parte significativa dessas obras continua apenas no campo do anúncio, mesmo com as ordens de serviço já assinadas.

 

Preocupação cresce diante da possível saída do prefeito

 

A situação começa a gerar preocupação entre moradores e lideranças comunitárias.

 

Isso porque o prefeito Edilson Massocco é apontado como possível candidato a deputado estadual nas próximas eleições e, caso confirme a candidatura, deverá renunciar ao cargo no máximo até o início de abril, dentro do prazo de desincompatibilização previsto pela legislação eleitoral.

 

Diante desse cenário, cresce a dúvida entre moradores: essas obras realmente sairão do papel ou ficarão apenas no campo dos anúncios?

 

Caso os contratos não avancem ou as empresas não consigam executar os serviços, existe o risco de a Prefeitura ter que rescindir contratos e realizar novas licitações, o que pode provocar atrasos ainda maiores na execução das pavimentações prometidas.

 

Empresas enfrentam dificuldades para executar obras

 

Outro ponto que reforça a preocupação é a situação de algumas empresas responsáveis pelas pavimentações.

 

Em diferentes pontos da cidade já existem casos de obras iniciadas e posteriormente paralisadas, o que levanta questionamentos sobre a capacidade técnica e financeira de parte das empresas contratadas.

 

Nos bastidores do setor da construção civil, há avaliação de que o município ampliou significativamente o número de processos licitatórios de pavimentação ao mesmo tempo, o que acabou abrindo espaço para empresas com estrutura limitada e menor acervo técnico participarem das licitações.

 

Um dos exemplos citados é o acesso à comunidade de Sede Brum, onde a empresa responsável chegou a iniciar os trabalhos e executou etapas iniciais da obra. Porém, quando chegou o momento de aplicar a camada asfáltica — etapa que representa entre 70% e 75% do custo total da pavimentação — a empresa abandonou o serviço.

 

Segundo relatos do setor da construção civil, a empresa teria deixado dívidas com fornecedores da região, com valores que poderiam chegar a aproximadamente R$ 3 milhões.

 

Entre o anúncio e a execução

 

Com dezenas de ruas aguardando o início das obras, cresce entre moradores a sensação de incerteza.

 

A pergunta que começa a circular em diferentes bairros de Concórdia é direta: os anúncios de asfaltamento representam um planejamento real de execução ou fazem parte de um movimento político em um momento pré-eleitoral?

 

Para quem mora nas ruas que aguardam pavimentação, a expectativa agora é saber quais dessas obras realmente sairão do papel e quais poderão acabar se resumindo apenas às placas instaladas pela cidade.