Jornalista será homenageado no Maracanã; trajetória marcou gerações da crônica esportiva gaúcha
O jornalismo esportivo brasileiro perdeu, na madrugada desta quarta-feira (28), uma de suas vozes mais conhecidas. Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morreu aos 70 anos, em Porto Alegre, em decorrência de uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Colorado assumido, Guerrinha construiu uma trajetória que ultrapassou a rivalidade entre Internacional e Grêmio. A paixão pelo clube não impediu que conquistasse a credibilidade e o respeito de torcedores dos dois lados, com comentários firmes, independência de opinião e um humor que se tornou sua marca.
Na despedida, o próprio Grêmio destacou essa característica ao lembrar o jornalista como um personagem importante do futebol, respeitado por todas as torcidas. O reconhecimento traduz uma das principais marcas de sua carreira: falar de Grêmio e Inter sem deixar que a preferência clubística se sobrepusesse ao compromisso com o jornalismo.
O Internacional prepara uma homenagem para a partida contra o Fluminense, nesta quarta-feira (28), no Maracanã. Os jogadores entrarão em campo com uma tarja preta no braço, e está previsto um minuto de silêncio em memória do comentarista. Também estão previstas homenagens no próximo compromisso colorado no Beira-Rio, diante do Coritiba.
A morte mobilizou colegas da crônica esportiva, clubes, dirigentes e ouvintes. Além da dupla Gre-Nal, Juventude e Caxias manifestaram pesar, reconhecendo a contribuição do comunicador para o futebol e a imprensa do Rio Grande do Sul.
Guerrinha começou no jornalismo cobrindo turfe, uma de suas grandes paixões. Ingressou no Grupo RBS em 1983 e, na década de 1990, direcionou sua atuação ao futebol. Passou a integrar a Rádio Gaúcha em 1999 e a bancada do tradicional Sala de Redação em 2004.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, trabalhou como repórter, editor, colunista, comentarista e apresentador. Com frases marcantes, análises contundentes e linguagem popular, tornou-se uma referência para diferentes gerações de leitores e ouvintes.
A ligação com o Internacional também rendeu momentos especiais. Guerrinha deu voz à crônica “Não me acordem”, escrita por Luis Fernando Verissimo em celebração ao título mundial colorado de 2006, e participou do espetáculo “Os Protagonistas”, que marcou a reinauguração do Beira-Rio.
Ele deixa a esposa, Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos. A despedida pública foi marcada para esta quarta-feira (28), das 14h às 19h, no Crematório Metropolitano, em Porto Alegre.





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