Líder da bancada governista fez duras críticas à resposta da Prefeitura sobre veículos da Secretaria de Desporto e usou até imagem de Papai Noel para ironizar as justificativas
A vereadora Fernanda Dilda (PL), líder da bancada governista, fez duras críticas à administração municipal durante a sessão da Câmara de Concórdia desta segunda-feira (19). Em um pronunciamento de mais de 20 minutos, que incluiu os dez minutos destinados à liderança, questionou a resposta encaminhada pela Prefeitura ao Requerimento 237/2026, sobre o uso de veículos públicos vinculados à Secretaria de Desporto.
Fernanda classificou as informações recebidas como amplas, genéricas e insuficientes para esclarecer os questionamentos. Segundo ela, o requerimento foi apresentado em 14 de setembro, mas a resposta chegou apenas na semana passada.
“Eu acredito que nós devemos aqui ser tratados como adultos que somos”, afirmou.
Um dos momentos mais contundentes ocorreu quando a vereadora retomou uma declaração do prefeito de que “o bambu vai roncar” contra quem depreda o patrimônio público. Fernanda elogiou a postura, mas cobrou o mesmo rigor diante de possíveis situações de uso inadequado dos bens municipais.
“O bambu tem que roncar. Mas não só para quem depreda patrimônio público, mas para quem faz mau uso do patrimônio público. O bambu tem que roncar igualmente”, declarou.
A parlamentar afirmou que a fiscalização independe de alinhamento político e que integrar a base governista aumenta sua responsabilidade de apontar o que precisa ser corrigido.
“Eu sou base do governo, tenho responsabilidade com isso, tenho responsabilidade com essa gestão e justamente por isso eu acredito que nós precisamos ter maturidade para reconhecer o que precisa ser melhorado, aperfeiçoado.”
Segundo Fernanda, os questionamentos surgiram depois de relatos de moradores sobre a presença frequente de veículos da Prefeitura na rua e na garagem do prédio onde reside o secretário da pasta. A vereadora não citou o nome do titular durante a manifestação.
Ela afirmou que o requerimento foi acompanhado de fotografias e que, posteriormente, recebeu planilhas de utilização dos veículos. Na avaliação da parlamentar, o cruzamento desses materiais apresenta situações que precisam de esclarecimento.
Fernanda relatou ausência de registros em alguns casos, movimentações no horário de almoço e divergências entre os horários anotados de devolução e a presença dos veículos no endereço.
Também questionou por que, segundo seu relato, os carros deixaram de permanecer no local depois do protocolo do requerimento.
“Se estava tudo ok, por que depois do protocolo do requerimento sumiram os carros de lá?”, perguntou.
Ao apresentar trechos da resposta do Executivo, Fernanda informou que a Prefeitura sustenta que as fotografias, isoladamente, não comprovam desvio de finalidade. Conforme o conteúdo lido em plenário, os registros foram produzidos unilateralmente e não apresentam marca d’água com data, horário e coordenadas.
A resposta citada pela parlamentar também afirma que os elementos apresentados não permitem concluir pela existência de uso particular ou irregularidade.
Fernanda contestou a argumentação e defendeu que as imagens sejam analisadas em conjunto com as planilhas fornecidas pela própria administração.
Outro ponto criticado foi a justificativa relacionada aos horários diferenciados das atividades da Secretaria de Desporto e à necessidade de racionalizar trajetos. Segundo a vereadora, as planilhas não apresentam registros de chegada após as 23h30 ou de saída antes das 6h, horários que ela mencionou como limites de funcionamento do acesso ao Centro Administrativo.
Na avaliação da parlamentar, os veículos poderiam ter sido guardados na Prefeitura. Ela afirmou que a distância entre o endereço questionado e o Centro Administrativo é de aproximadamente 950 metros de carro ou 400 metros a pé.
Fernanda também destacou que a própria resposta indica o Centro Administrativo como local de guarda dos veículos e menciona uma norma que proíbe seu armazenamento em residências ou garagens particulares.
A forma de apresentação do documento foi outro alvo das críticas. Segundo a vereadora, a resposta estava sem assinatura, data ou identificação do responsável pela elaboração.
Durante o pronunciamento, Fernanda utilizou uma apresentação com fotografias dos veículos, trechos da resposta do Executivo e frases que sintetizavam suas cobranças. Uma das telas destacava: “Sem assinatura, sem data, sem responsável”.
Em outra, exibiu a imagem de um carro em uma garagem, acompanhada da referência ao artigo 13.4 da Instrução Normativa 02/2018, que, conforme o material apresentado, proíbe a guarda de veículos oficiais em residências ou garagens particulares.
A parlamentar também recorreu à ironia para manifestar descrença nas justificativas. Até uma imagem de Papai Noel apareceu na apresentação, reforçando o tom de contestação às explicações encaminhadas pela administração municipal.
“Isso não se trata de governo e oposição”, afirmou, antes de classificar como “patifaria” a maneira como os esclarecimentos foram apresentados.
Fernanda comparou a cobrança feita ao contribuinte com a postura que espera da administração no cuidado com o patrimônio público. Disse que o cidadão é cobrado quando deixa de pagar suas obrigações e que a mesma responsabilidade deve orientar o uso dos bens municipais.
A vereadora também reagiu a tentativas de desqualificar a fiscalização exercida pelos parlamentares. Afirmou que seu primeiro compromisso é com a população de Concórdia e avisou que poderá citar nominalmente quem tentar desacreditar a atuação do Legislativo.
“Se decidirem continuar respondendo essa casa desta maneira, a resposta sempre será à altura. Sempre será”, declarou.
Ao final, a líder da bancada governista apresentou uma proposta para ampliar o controle da frota pública e pediu a adesão dos demais vereadores. Segundo ela, um anteprojeto já foi elaborado, e o levantamento dos custos está em andamento para subsidiar a proposta e seu impacto financeiro.
A intenção, conforme explicou, é estabelecer mecanismos de acompanhamento do uso de carros, máquinas e demais veículos municipais, reduzindo a dependência exclusiva das planilhas de preenchimento manual.





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