Parlamentar relata que procurou os responsáveis sem obter informações completas e pede até telefone, e-mail e identificação de quem atende os moradores
A líder do governo na Câmara de Concórdia, vereadora Rutineia Rossi, apresentou um requerimento cobrando explicações da Prefeitura sobre obras de pavimentação nos bairros Primavera e Natureza. No documento, a parlamentar afirma que já procurou pessoalmente os responsáveis pela área, mas não conseguiu informações oficiais, completas e individualizadas sobre a situação dos serviços e as providências para sua continuidade.
O Requerimento nº 287/2026, datado de 20 de outubro, reúne 13 questionamentos encaminhados ao Executivo, por intermédio da Secretaria Municipal de Planejamento. As perguntas abrangem serviços executados, rescisão contratual, pagamentos, medidas judiciais e alternativas para a continuidade das obras.
O teor do documento sugere que alguma coisa não vai bem na relação entre a liderança governista e a Prefeitura. A cobrança parte de quem exerce a função política de defender e articular as ações da administração na Câmara, o que dá outro peso ao pedido.
Não há anúncio de rompimento no requerimento. Há, porém, um sinal de desgaste: a própria líder registra que suas tentativas de obter esclarecimentos diretamente com os responsáveis foram insuficientes.
Até telefone e e-mail entram na cobrança
Um dos pontos que chamam a atenção está no item 12. Rutineia solicita que a Prefeitura informe qual telefone, endereço eletrônico, setor ou canal oficial os moradores podem utilizar para buscar informações sobre as obras, registrar reclamações, solicitar providências e acompanhar os serviços.
A vereadora pede também os horários de atendimento e, se houver, o número de protocolo ou sistema utilizado para acompanhar as solicitações. No item anterior, questiona qual secretaria, setor ou servidor responde pelo acompanhamento e pela fiscalização das obras, além do fornecimento de informações à população.
São informações básicas para os moradores que aguardam a pavimentação. A necessidade de formalizar essas perguntas, depois de procurar pessoalmente os responsáveis, reforça a cobrança por uma comunicação mais clara da administração.
Segundo o requerimento, moradores dos dois bairros têm recorrido ao gabinete da parlamentar por não conseguirem respostas claras e conclusivas junto aos responsáveis pela pasta.
Contrato de quase R$ 4 milhões
Conforme as informações reunidas no documento, os serviços estão vinculados ao Contrato nº 195/2025, firmado com a empresa R&S Prestadora de Serviços Ltda., no valor de R$ 3.988.534,32, com recursos provenientes do Convênio Estadual SCC 10149/2025.
O pedido trata de sete vias. No bairro Natureza, estão relacionadas as travessas das Ilhas, do Sol, das Lagoas e das Águas. No bairro Primavera, as ruas Elizeo Fiametti, Germano Furlan e Jardel Segalin.
Rutineia solicita a situação individual de cada uma delas, com a identificação dos serviços iniciados, executados, interrompidos ou ainda não iniciados.
Rescisão e decisão judicial precisam ser esclarecidas
A parlamentar aponta atraso excessivo na execução dos serviços como motivo da rescisão contratual e pede cópia dos documentos que fundamentaram a decisão.
Também cobra esclarecimentos sobre uma medida liminar obtida pela empresa contratada. Entre as perguntas estão a situação atual do processo, a vigência da decisão, a existência de recursos e os efeitos sobre as providências que o município pode adotar.
O requerimento busca esclarecer se há impedimento jurídico para a continuidade das obras e quais medidas estão sendo tomadas para superá-lo. Questiona ainda se a Prefeitura avaliou convocar outros participantes da licitação ou realizar um novo procedimento de contratação.
Na área financeira, pede os valores efetivamente executados, medidos e pagos, além de eventuais pendências, multas e procedimentos para apurar descumprimentos contratuais.
Moradores precisam de uma resposta concreta
Outro ponto central é a existência de um cronograma atualizado para início, retomada ou conclusão dos serviços em cada rua. Caso não exista, a vereadora solicita que a Prefeitura explique os motivos e os fatores que impedem sua elaboração.
O próprio requerimento ressalta que não basta informar que o contrato foi rescindido. É necessário esclarecer a situação jurídica e as medidas adotadas para que as obras não permaneçam indefinidamente paralisadas.
Politicamente, fica o sinal de uma interlocução que não está funcionando como deveria entre a administração e sua liderança na Câmara. Para os moradores, a necessidade é concreta: saber o que impede o asfalto, quais providências estão em andamento e quem responde por essas informações.





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