Campanha vê risco de novas acusações na reta final; presidente condicionou abertura dos próprios dados à mesma medida pelo adversário
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) defendem que o candidato à Presidência não aceite o desafio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para divulgar dados bancários, fiscais e telefônicos. Nos bastidores, integrantes da campanha consideram a iniciativa uma estratégia eleitoral para provocar desgaste às vésperas do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.
A avaliação desse grupo é de que a divulgação poderia alimentar novas acusações e pedidos de investigação, sem tempo suficiente para analisar os documentos e esclarecer eventuais questionamentos antes da votação. A orientação relatada por aliados, porém, não corresponde a uma recusa formal anunciada publicamente pelo senador.
Lula apresentou nesta terça-feira (20) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento autorizando o levantamento de seus sigilos e dos de familiares, desde que Flávio adote a mesma medida. O documento abrange os últimos oito anos e inclui a primeira-dama, Janja, e os cinco filhos do presidente.
A proposta também alcança empresas vinculadas aos candidatos. Em relação ao adversário, Lula cobrou que a abertura inclua informações da esposa, dos pais e dos irmãos de Flávio.
O desafio foi lançado durante o debate presidencial de domingo (18), em meio à troca de acusações sobre corrupção. Na ocasião, Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não declarou expressamente que aceitaria divulgar os dados.
Depois do encontro, o senador disse que seus bens estão declarados à Receita Federal e ironizou a proposta de abertura do sigilo telefônico, alegando que Lula não tem celular. Também acusou o presidente de movimentar recursos fora das próprias contas, sem apresentar provas nessa resposta.
A declaração de bens à Receita, mencionada por Flávio, não equivale à divulgação pública de movimentações bancárias e informações fiscais.
O requerimento apresentado por Lula, por sua vez, não significa que seus dados já estejam disponíveis para consulta pública. A autorização foi condicionada à adoção da mesma medida pelo adversário.





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