Zagonel sai das urnas maior e se credencia para ser o que quiser em 2028

Closmar Zagonel (MDB) não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas saiu da eleição com um patrimônio político expressivo. O presidente da Câmara de Vereadores recebeu 21.163 votos em Santa Catarina, sendo 18.456 em Concórdia, onde foi o candidato a deputado federal mais votado. É um resultado que precisa ser observado para além da condição de não eleito.

 

Minha leitura é que Zagonel construiu uma campanha politicamente vitoriosa. Transformou sua relação com a comunidade em uma votação que o coloca entre os nomes que deverão ser considerados na construção das candidaturas à Prefeitura de Concórdia em 2028.

 

A comparação com Edilson Massocco (PL) ajuda a dimensionar esse desempenho. Eleito deputado estadual com 64.805 votos em Santa Catarina, Massocco recebeu 20.411 em Concórdia. Zagonel ficou apenas 1.955 votos atrás no município. Embora tenham disputado cargos diferentes, os números mostram a força local dos dois nomes que caminharam juntos durante a campanha.

 

A proximidade das votações não permite afirmar que foram exatamente os mesmos eleitores que escolheram os dois. Mas revela que Zagonel alcançou uma dimensão eleitoral próxima à de um ex-prefeito que conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa.

 

E fez isso enfrentando dificuldades de estrutura. Durante a campanha, aqui na Página Quatro registramos a distância entre os recursos disponíveis para Zagonel e os valores milionários destinados a outros candidatos do MDB. Naquele levantamento, publicado em setembro, ele ainda não havia recebido recursos do Fundo Eleitoral e declarava R$ 28 mil em receitas. Era a campanha do “tostão contra o milhão”. 

 

O resultado dá outra dimensão àquela caminhada. Um político de perfil popular, conhecido pela proximidade com as pessoas e pelo trabalho cotidiano em Concórdia, conseguiu converter esse vínculo em mais de 18 mil votos dentro de casa. Vejo nessa votação um reconhecimento da comunidade à sua trajetória.

 

Zagonel também assumiu escolhas políticas. Filiado ao MDB, apoiou Jorginho Mello (PL) e fez campanha ao lado de Massocco, contrariando o alinhamento estadual de seu partido na disputa pelo governo. Agora, com Jorginho reeleito e Massocco eleito deputado estadual, essa relação pode ampliar seu espaço de interlocução política.

 

Isso não significa que os votos de uma eleição para deputado se transfiram automaticamente para uma disputa municipal. Tampouco que uma candidatura esteja definida. Mas significa que Zagonel chega à discussão sobre 2028 com força própria e argumentos concretos para participar das decisões.

 

A experiência em uma eleição majoritária ele já tem. Em 2012, foi candidato a vice-prefeito na chapa de Cézar Luiz, que recebeu 19.289 votos e terminou em segundo, atrás de João Girardi, eleito com 24.022. Hoje, Zagonel tem uma nova demonstração de sua capacidade de mobilização eleitoral.

 

Disputar a Prefeitura, integrar uma chapa como vice ou construir outro caminho são possibilidades que dependerão de sua vontade, das alianças e do cenário político. A votação não lhe entrega uma candidatura pronta, mas lhe dá condições de pleitear protagonismo.

 

Cabe agora a Zagonel ter tranquilidade e serenidade para analisar os dados, conversar com seus aliados e traçar uma estratégia para o futuro. Não chegou a Brasília, mas voltou das urnas maior em Concórdia. E quem reúne esse reconhecimento popular passa a ter um peso que ninguém pode ignorar na próxima eleição municipal.