Regiões revelam contrastes na corrida presidencial; São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reúnem quase 40% do eleitorado brasileiro
A disputa pela Presidência da República chega à votação deste domingo, 4 de outubro, com diferenças expressivas entre as regiões brasileiras. A última pesquisa Datafolha antes do primeiro turno mostra Lula (PT) à frente no Nordeste e Flávio Bolsonaro (PL) no Sul. No Sudeste, maior concentração de eleitores do país, os dois estão tecnicamente empatados.
O cenário ajuda a compreender por que o tamanho das vantagens regionais merece atenção durante a apuração. Uma liderança ampla em determinada região pode compensar desvantagens em outras. Também entram nessa conta o comparecimento às urnas e a votação dos demais candidatos.
Sudeste concentra o maior peso eleitoral
Com 66,33 milhões de eleitores, o Sudeste reúne 41,78% do eleitorado nacional, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, juntos, representam 39,90% dos brasileiros aptos a votar.
Na pesquisa nacional Datafolha, realizada em 2 e 3 de outubro, Flávio aparece com 42% das intenções de voto no Sudeste, contra 38% de Lula. A diferença configura empate técnico no limite da margem de erro do recorte, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os números consideram votos totais.
Pelo volume de eleitores, mesmo pequenas diferenças percentuais nessa região podem ter impacto relevante no resultado nacional.
Nordeste é a principal vantagem de Lula
O Nordeste tem 43,53 milhões de eleitores e responde por 27,42% do eleitorado brasileiro. Na última pesquisa Datafolha, Lula registra 59% das intenções de voto na região, enquanto Flávio tem 28%. A margem de erro regional é de três pontos percentuais.
A vantagem de 31 pontos indica que a região pode oferecer uma contribuição expressiva ao desempenho nacional do petista, caso essa tendência se confirme nas urnas.
Sul favorece Flávio Bolsonaro
No Sul, o cenário se inverte. Flávio aparece com 51%, contra 30% de Lula, uma diferença de 21 pontos. A margem de erro desse recorte é de quatro pontos percentuais.
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul somam 22,86 milhões de eleitores, equivalentes a 14,40% do total nacional. O Paraná é o quinto maior colégio eleitoral do país, com 8,61 milhões de pessoas aptas a votar.
Assim, a vantagem no Sul pode ajudar Flávio a compensar parte da diferença favorável a Lula no Nordeste.
Norte e Centro-Oeste também têm disputa aberta
O Datafolha apresenta Norte e Centro-Oeste em um único agrupamento. Nesse recorte, Flávio tem 42% e Lula, 37%, em empate técnico, considerando a margem de erro de quatro pontos percentuais.
No cadastro do TSE, as regiões aparecem separadamente: o Norte tem 13,11 milhões de eleitores, ou 8,26% do total; o Centro-Oeste reúne 12 milhões, equivalentes a 7,56%.
São Paulo, Minas e Rio têm cenários diferentes
Pesquisas estaduais Datafolha divulgadas em 2 de outubro mostram diferenças dentro do próprio Sudeste. No primeiro turno, considerando votos válidos, São Paulo apresenta Flávio com 41% e Lula com 40%. Em Minas Gerais, Lula tem 45%, contra 38% de Flávio. No Rio de Janeiro, o senador registra 48%, enquanto o presidente aparece com 40%.
Nas simulações de segundo turno, calculadas sobre votos totais, São Paulo tem Flávio com 48% e Lula com 45%. Em Minas, Lula aparece com 48% e Flávio com 44%. Ambos os cenários configuram empate técnico: a margem é de dois pontos em São Paulo e de três em Minas. No Rio, Flávio lidera com 51%, contra 42% de Lula, com margem de três pontos.
Em Pernambuco, Lula registra 65% dos votos válidos no primeiro turno, contra 26% de Flávio. Na simulação de segundo turno, o placar é de 65% a 29% em votos totais, com margem de três pontos.
Pesquisas mostram tendências antes da votação
A pesquisa nacional Datafolha ouviu 4.006 eleitores em 122 municípios, nos dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro nacional é de dois pontos, com confiança de 95%. Contratado pela Folha e pela TV Globo, o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-01708/2026.
As pesquisas estaduais tiveram entrevistas de 28 de setembro a 1º de outubro, também com confiança de 95%. Foram ouvidas 1.610 pessoas em São Paulo e 1.204 em cada um dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco. Os registros presidenciais são BR-02676/2026, BR-03604/2026, BR-01272/2026 e BR-00950/2026, respectivamente.
Os levantamentos retratam intenções de voto anteriores à eleição. A apuração mostrará se as vantagens regionais se confirmam e qual será o peso de cada uma no resultado da disputa presidencial.





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