Governador havia confirmado presença, mas cancelou participação após reassumir o cargo para acompanhar os estragos provocados pelas chuvas no Sul do Estado
A ausência do governador Jorginho Mello (PL) marcou o debate promovido pela Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACAERT), nesta terça-feira (22), em Florianópolis. Embora não estivesse no estúdio, o candidato à reeleição foi o principal alvo dos adversários, que concentraram críticas na gestão estadual e questionaram a decisão de retirar a vice-governadora Marilisa Boehm (PL) do comando do Estado em meio à emergência provocada pelas chuvas.
Participaram do encontro Gelson Merisio (PSB), João Rodrigues (PSD) e Ralf Zimmer (PRD). Jorginho estava confirmado até a noite anterior, mas interrompeu a licença eleitoral e reassumiu o governo para acompanhar pessoalmente as ações da Defesa Civil, das forças de segurança e dos demais órgãos mobilizados no atendimento aos municípios atingidos.
Em nota encaminhada à ACAERT, o governador afirmou que a ausência ocorreu pelo cumprimento de um “dever institucional urgente e inadiável”. Durante o debate, Jorginho estava na Defesa Civil e depois seguiu para a região Sul do Estado.
Adversários questionam retirada de Marilisa
A decisão de reassumir o governo abriu uma frente de críticas entre os adversários. O principal questionamento foi por que Jorginho precisou retirar Marilisa Boehm do exercício do cargo se a vice-governadora, delegada de carreira, teria condições de coordenar a resposta do Estado e visitar os municípios atingidos.
João Rodrigues classificou Jorginho como “fujão” e afirmou que a decisão demonstraria falta de confiança na própria vice-governadora.
“Tirar ela do mandato para poder assumir e lá atender é a mesma coisa que dizer que ela não tem capacidade, não tem competência para isso”, declarou após o debate.
Gelson Merisio também criticou a ausência e afirmou que Jorginho deixou de apresentar respostas sobre os resultados da administração estadual.
“O que faltou foi a presença, foi a capacidade dele de discutir, avaliar e, acima de tudo, defender as não entregas que fez no seu governo”, disse.
Os três participantes aproveitaram o espaço para fazer críticas ao modelo de gestão adotado por Jorginho. Como o governador não estava presente, não houve confronto direto nem resposta imediata aos questionamentos feitos durante o encontro.
Educação e Universidade Gratuita entram no debate
Na educação, os candidatos abordaram a queda de indicadores de aprendizagem e cobraram uma política capaz de melhorar o desempenho dos estudantes da rede estadual.
O Universidade Gratuita também apareceu nas discussões. Embora reconhecido como um programa importante para ampliar o acesso ao ensino superior, o modelo foi alvo de críticas relacionadas à execução, aos critérios e ao controle dos recursos públicos destinados às instituições participantes.
Os adversários defenderam mudanças na gestão educacional e maior atenção à qualidade do ensino básico, argumentando que investimentos em infraestrutura precisam ser acompanhados por resultados efetivos na aprendizagem.
Saúde, UTIs e filas por especialistas
A saúde foi outro dos principais assuntos do debate. Os candidatos discutiram a necessidade de ampliar leitos de UTI e UTI neonatal, reduzir gargalos nas especialidades médicas e enfrentar as filas por consultas, exames e cirurgias.
A demora na regulação e a dificuldade de acesso a determinados atendimentos foram usadas para criticar a administração estadual. Os participantes apresentaram propostas de regionalização dos serviços e ampliação da capacidade de atendimento dos hospitais.
Energia e internet no campo
As condições de infraestrutura no meio rural também tiveram espaço. Os candidatos defenderam a ampliação da rede de energia trifásica, considerada fundamental para propriedades que utilizam equipamentos de maior potência e investem em produção de aves, suínos e leite.
A expansão da internet no campo foi tratada como necessária para modernizar as propriedades, melhorar a gestão da produção, ampliar o acesso a serviços e garantir melhores condições às famílias que vivem nas áreas rurais.
Chuvas, drenagem e Defesa Civil
Diante dos estragos provocados pelos temporais, mudanças climáticas, prevenção de desastres e estrutura da Defesa Civil ganharam destaque. Os participantes defenderam investimentos em macrodrenagem e microdrenagem, além de planejamento permanente para reduzir os impactos de enchentes e alagamentos.
O debate também abordou feminicídio, infraestrutura e desenvolvimento regional.
O encontro foi mediado pelo jornalista Moacir Pereira e transmitido por 120 emissoras associadas à ACAERT, em 211 canais de rádio, televisão, YouTube, sites e outras plataformas digitais. Jorginho havia anunciado anteriormente que o debate da entidade estaria entre aqueles dos quais participaria.





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