Comparação entre o primeiro e o segundo voto também sugere que parte dos eleitores de Carol de Toni completa a escolha com Carlos Bolsonaro
A comparação entre o primeiro e o segundo voto para o Senado na pesquisa AtlasIntel permite observar como estão funcionando as principais dobradinhas em Santa Catarina. Os números indicam maior sintonia entre Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL), enquanto Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB) apresentam a maior distância entre os candidatos que integram a mesma chapa.
Como duas vagas estarão em disputa, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado. A divisão entre primeira e segunda escolha ajuda a identificar quais candidaturas são tratadas como prioritárias e quais aparecem com maior força como voto complementar.
Décio e Afrânio apresentam maior encaixe
Décio Lima registra 19,6% no primeiro voto. Já no segundo voto, Afrânio Boppré alcança 15,5%. A proximidade entre os percentuais sugere que uma parcela expressiva dos eleitores que coloca Décio como primeira escolha completa o voto com Afrânio.
No sentido inverso, Afrânio aparece com 3,1% no primeiro voto, enquanto Décio registra 4,1% no segundo. Os números reforçam a indicação de voto combinado entre os dois candidatos do Campo Democrático.
Os percentuais não permitem afirmar que todos os eleitores estejam fazendo a dobradinha, pois a pesquisa divulgada não apresenta o cruzamento individual das respostas. Mesmo assim, a correspondência entre os resultados coloca Décio e Afrânio como a dupla aparentemente mais encaixada da disputa.
Parte do eleitorado de Carol pode completar com Carlos
Carol de Toni (PL) lidera o primeiro voto com 34,3%. Carlos Bolsonaro (PL), por sua vez, aparece com 16,4% no segundo voto, acima dos 13,4% que registra como primeira escolha.
A diferença sugere que Carlos recebe parte do voto complementar de eleitores que colocam Carol em primeiro lugar. Entretanto, a dobradinha do PL não acompanha integralmente o desempenho da candidata.
Mesmo na hipótese de todos os 16,4% de Carlos no segundo voto virem de eleitores de Carol, isso corresponderia a menos da metade dos 34,3% registrados pela deputada como primeira escolha. O cenário indica que uma parcela relevante do eleitorado de Carol completa o voto com outro candidato ou ainda não definiu a segunda opção.
Esperidião Amin, que alcança 24,5% no segundo voto, pode estar recebendo parte desse eleitorado. Sem a tabela cruzada das respostas, porém, não é possível determinar o tamanho exato dessa migração.
Amin cresce no segundo voto, mas Lunelli não acompanha
Esperidião Amin registra 16% no primeiro voto e sobe para 24,5% no segundo. O movimento mostra que o senador é uma opção complementar para eleitores que colocam outros candidatos como prioridade.
O desempenho de Antídio Lunelli, entretanto, não acompanha o de Amin. O candidato do MDB tem 5,3% no primeiro voto e 4,3% no segundo.
Mesmo que todos os 4,3% de Lunelli no segundo voto fossem provenientes de eleitores que escolheram Amin primeiro, a combinação alcançaria menos de 27% desse grupo. Isso significa que pelo menos 73% dos eleitores de Amin estariam escolhendo outro nome para a segunda vaga.
Entre as principais dobradinhas partidárias, Amin e Lunelli apresentam, portanto, a maior distância numérica.
Disputa permanece aberta
No resultado consolidado dos dois votos, Carol de Toni lidera com 28,4%, seguida por Esperidião Amin, com 20,2%, e Carlos Bolsonaro, com 14,9%. Décio Lima tem 11,9%, Afrânio Boppré aparece com 9,3% e Antídio Lunelli registra 4,8%.
A AtlasIntel ouviu 1.211 eleitores de Santa Catarina entre os dias 4 e 9 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo ND e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números SC-02036/2026 e BR-06230/2026.
Embora a pesquisa não revele diretamente em quem cada entrevistado vota nas duas escolhas, a comparação entre o primeiro e o segundo voto oferece indicativos sobre o funcionamento das dobradinhas. Neste momento, Décio e Afrânio apresentam a maior aproximação, enquanto Amin e Lunelli demonstram a menor transferência aparente de votos.





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