Campanha do governador tentou suspender peça que apresenta paciente que teria esperado 404 dias por cirurgia; Justiça Eleitoral considerou conteúdo inserido no debate político-eleitoral
A campanha do governador e candidato à reeleição Jorginho Mello (PL) sofreu uma derrota na Justiça Eleitoral ao tentar retirar do ar uma propaganda do candidato João Rodrigues (PSD) que critica a situação da fila de cirurgias em Santa Catarina.
A decisão foi proferida pelo desembargador eleitoral substituto Marcelo Carlin, do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).
A propaganda de João Rodrigues apresenta o caso de um paciente que teria aguardado 404 dias por uma cirurgia no quadril e utiliza o episódio para questionar a promessa do governo Jorginho Mello de zerar a fila de procedimentos no Estado.
A campanha de João também sustenta que os dados utilizados na propaganda têm como origem informações da própria Secretaria de Estado da Saúde, que apontariam aproximadamente 116 mil pessoas na fila de espera.
Campanha de Jorginho contestou caso dos 404 dias
A coligação de Jorginho Mello questionou especificamente a maneira como a situação do paciente foi apresentada.
Segundo a argumentação levada à Justiça, o homem já teria passado por uma cirurgia em 2024 e o período de espera mencionado na propaganda envolveria diferentes movimentações no sistema de regulação.
A campanha do governador sustentou ainda que o paciente chegou a ser retirado da lista, contestando, portanto, a afirmação de que teria permanecido continuamente durante 404 dias aguardando o procedimento.
Justiça mantém propaganda
Apesar da contestação, a Justiça Eleitoral não considerou suficientes os argumentos apresentados para determinar a retirada da propaganda.
O entendimento foi de que o conteúdo está inserido no campo da crítica político-eleitoral, especialmente por tratar da condução da saúde pública e da fila de cirurgias — tema que integra o debate da campanha ao Governo de Santa Catarina.
A decisão também passa pela diferença entre uma informação controversa, que pode exigir análise e interpretação, e aquilo que a legislação eleitoral considera uma informação “sabidamente inverídica”, cuja falsidade precisa ser demonstrável de forma evidente.
Com isso, a propaganda de João Rodrigues permanece no ar.
Saúde ganha espaço na disputa pelo Governo
A decisão ocorre num momento em que os adversários intensificam as críticas à administração estadual na reta final da campanha.
João Rodrigues vem utilizando o horário eleitoral para confrontar ações do governo Jorginho Mello em diferentes áreas e apresentar propostas e experiências de sua administração em Chapecó. A saúde passou a ocupar espaço importante nessa estratégia.
O episódio também mostra que a disputa entre Jorginho Mello e João Rodrigues está chegando à Justiça Eleitoral, além do confronto travado no rádio, na televisão e nas redes sociais.






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