A disputa pelas duas vagas de Santa Catarina no Senado começa a provocar movimentos dentro do próprio PL. Apoiadores da deputada federal Caroline De Toni (PL) passaram a concentrar a campanha exclusivamente na candidata e deixaram de pedir votos para Carlos Bolsonaro (PL), que também concorre ao Senado pela sigla.
No início da campanha, a estratégia era apresentar os dois candidatos juntos, numa tentativa de o PL conquistar as duas cadeiras em disputa. O cenário das pesquisas, no entanto, acendeu o alerta entre os apoiadores de Caroline.
Esperidião Amin (PP), candidato à reeleição, aparece entre os primeiros colocados, enquanto Carlos Bolsonaro também ocupa posição competitiva. Caroline De Toni, por sua vez, aparece atrás dos dois em levantamentos recentes, cenário que poderia deixá-la fora das duas vagas.
Nos primeiros dias da campanha, Caroline chegou a pedir votos publicamente para Carlos Bolsonaro e para sua própria candidatura. A estratégia, porém, provocou reação entre apoiadores da deputada, que defendem agora uma campanha mais concentrada no nome de Caroline.
Um dos sinais desse movimento veio da vereadora de Itajaí Liliane Fontenele (PL), apoiadora de Caroline De Toni. Em entrevista à Jovem Pan News Litoral, ela explicou por que deixou de pedir votos para Carlos Bolsonaro.
Na avaliação da vereadora, a prioridade neste momento deve ser garantir que Caroline consiga avançar nas pesquisas e entre efetivamente na disputa por uma das duas vagas.
Liliane argumentou ainda que Carlos Bolsonaro possui uma vantagem eleitoral própria por ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e, por isso, não dependeria da transferência de votos ou de uma campanha conjunta com Caroline De Toni.
O movimento também ocorre em meio a outros episódios que evidenciam diferenças dentro da própria base do PL. Material eleitoral produzido por um apoiador do deputado estadual Camilo Martins (PL), por exemplo, apresentou Carlos Bolsonaro como opção para uma das vagas ao Senado e Esperidião Amin para a outra, deixando Caroline De Toni de fora.
Amin integra a chapa adversária liderada por João Rodrigues (PSD) ao Governo do Estado.
Com duas vagas em disputa, a eleição para o Senado permite que cada eleitor vote em dois candidatos. É justamente essa característica que torna estratégica a definição de quem será apresentado como segundo voto.
Para o grupo mais próximo de Caroline De Toni, a leitura é de que dividir a campanha com Carlos Bolsonaro neste momento pode favorecer um candidato que já aparece à frente nas pesquisas, enquanto Caroline precisa ampliar sua votação para entrar entre os dois primeiros colocados.
A mudança de comportamento dos apoiadores mostra que, mesmo com Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni oficialmente na mesma chapa, a reta da campanha pode transformar a disputa pelo Senado também em uma corrida interna por espaço e pelo chamado segundo voto.






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