Jornalista morreu neste sábado (22), aos 60 anos, em Ijuí; Douglas Fortes relembra a amizade construída desde a implantação da Rádio Unijuí FM, em 2001
O jornalismo gaúcho perdeu neste sábado (22) um profissional que dedicou boa parte da vida ao rádio, ao esporte e à preservação da memória da comunicação regional. Morreu, aos 60 anos, o jornalista Luiz Henrique Berger, o Luizinho, no Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI).
Formado em Jornalismo pela Unijuí e integrante da primeira turma do curso, Berger construiu uma longa trajetória na comunicação de Ijuí. Passou por diferentes emissoras e teve uma relação especialmente importante com a Rádio Unijuí FM.
Luiz Henrique fez parte da equipe pioneira da emissora universitária, que entrou no ar em 2001. Permaneceu na Unijuí FM até 2007 e, anos depois, retornou para comandar a rádio, exercendo a direção entre setembro de 2013 e novembro de 2016.
A ligação com a instituição foi tão marcante que, em razão de sua morte e da contribuição prestada ao longo dos anos, a Fidene decretou um dia de luto oficial.
Uma vida ligada ao esporte
Outra grande paixão de Berger foi o esporte. Durante décadas, atuou no jornalismo esportivo, acompanhando competições, atletas, dirigentes e, especialmente, o Esporte Clube São Luiz, de Ijuí.
Sua ligação com o clube ultrapassou as jornadas esportivas e as reportagens. Em 2025, Berger chegou a ser indicado para receber o título de Sócio Benemérito do São Luiz.
Nos últimos anos, também se dedicava ao Tempo Todo, projeto voltado ao resgate e à preservação da memória do esporte e da própria comunicação de Ijuí.
“Um dos camaradas mais leais que conheci”
Para o jornalista e editor da Página Quatro, Douglas Fortes, a morte de Luiz Henrique Berger representa também a perda de um amigo de mais de duas décadas.
Os dois se conheceram justamente na implantação da Unijuí FM, em 2001.
“Eu fui aprovado no concurso para integrar a primeira equipe que instalou a Unijuí FM. O Luiz Henrique fazia parte daquele primeiro time e foi escolhido coordenador da equipe. Eu fiquei um ano e meio em Ijuí e, naquele período, aprendi a conviver com um dos grandes jornalistas e apaixonados pelo esporte que conheci”, recorda Fortes.
Douglas era o único integrante daquela equipe que não era de Ijuí. Recém-chegado à cidade, encontrou em Berger não apenas um coordenador, mas alguém que ajudou diretamente em sua integração profissional e pessoal.
“Eu era um camarada de fora, o único da equipe que era de fora, e fui acolhido como se fosse da casa, como se fosse da família. E devo muito disso ao Luiz Henrique.”
Na programação da nova emissora, Douglas apresentava o Plural, programa jornalístico que contava com a participação de Berger na produção.
Mas as lembranças daquele período ultrapassam os estúdios da rádio.
Os churrascos e as caronas
Douglas recorda especialmente os encontros da equipe na casa de Berger. Na época, morava em uma pensão próxima à universidade e não tinha automóvel.
“Como bom gaúcho, eu adorava um churrasco — e adoro até hoje. Muitas vezes saíamos do Campus da Unijuí e íamos fazer um churrasco na casa do Luiz. No final, era ele quem levava todo mundo para casa porque era o único que tinha carro.”
Havia ainda um detalhe que tornou aquelas lembranças inesquecíveis.
“Ele deixava todo mundo em casa com a maior alegria, mesmo sabendo que às seis horas da manhã estaria novamente na rádio, porque era ele quem abria a emissora. Isso diz muito sobre quem era o Luiz.”
Para Douglas, as lembranças ajudam a dimensionar uma amizade construída no início da carreira e preservada ao longo dos anos.
“Foi um dos camaradas mais leais que conheci em toda a minha vida profissional como jornalista. Tive a felicidade de viver grandes momentos em Ijuí sob o comando do Luiz Henrique.”
“Um dia a gente volta a se encontrar”
Ao se despedir do amigo, Douglas também recordou as conversas que os dois mantinham sobre seu pai, Solon Fortes.
“Meu caro Luiz, que Deus te receba de braços abertos. A gente conversava muito sobre o meu pai. Queira Deus que você possa encontrar o Solon Fortes lá em cima. Certamente vai encontrar um grande camarada e vocês terão muita coisa para conversar sobre rádio, jornalismo e comunicação.”
E encerrou:
“Até breve, meu irmão. Um dia desses a gente volta a se encontrar.”
Luiz Henrique Berger morreu na madrugada deste sábado, no Hospital de Clínicas de Ijuí. O velório foi realizado em Ijuí, com posterior cremação em Coronel Barros.
Aos familiares, amigos, colegas de profissão e a todos que conviveram com Luiz Henrique Berger, a Página Quatro manifesta seus sentimentos.





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