A julgar pelas presenças na palestra da ACIC, MDB dá sinais de que Zagonel está à deriva

É bem verdade que o passaporte para o evento custava R$ 100 e que a noite não era das mais convidativas: frio, umidade e chuvisco em Concórdia.

 

Também é verdade que o presidente da Câmara de Vereadores de Concórdia, Closmar Zagonel (MDB), candidato a deputado federal, apresentou um conjunto de boas ideias durante a palestra promovida pela ACIC, expondo alguns dos principais pontos da plataforma que pretende levar para a campanha.

 

Cerca de 100 pessoas acompanharam atentamente a fala de Zagonel. Entre o público, destaque para integrantes da equipe do vereador na Câmara, muitos deles acompanhados de familiares.

 

Politicamente, porém, as cadeiras também falaram.

 

Entre os vereadores de Concórdia, estava o companheiro de bancada Honestino Malacarne. Alguns poucos emedebistas do município também compareceram. Já lideranças regionais de maior expressão do MDB não foram percebidas no evento.

 

E é justamente aí que mora a questão.

 

Informações palacianas indicam que a indefinição sobre qual candidatura ao Governo de Santa Catarina Zagonel efetivamente apoiará estaria começando a cobrar seu preço dentro do próprio MDB.

 

Mas há um detalhe importante nessa história: até que ponto essa indefinição é realmente de Zagonel e até que ponto é resultado da estratégia desenhada pelo marketing de sua campanha?

 

Um dos emedebistas presentes confidenciou que a candidatura de Zagonel apresenta boa capilaridade em Concórdia. Na região, entretanto, o cenário seria diferente. A ausência de uma posição clara sobre qual projeto estadual sua candidatura representa estaria dificultando conversas e articulações com lideranças do próprio MDB.

 

E talvez seja justamente aí que esteja o erro de cálculo.

 

Ao tentar preservar Zagonel de um posicionamento que poderia desagradar parte do eleitorado, o marketing pode estar produzindo o efeito contrário: deixando o candidato sem uma identidade política suficientemente clara para mobilizar o próprio partido fora de Concórdia.

 

De um lado, o MDB está oficialmente embarcado no projeto de João Rodrigues (PSD), tendo Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice-governador e Antidio Lunelli ao senado. Do outro, existem relações políticas locais e movimentos que aproximam setores de Concórdia do governador Jorginho Mello (PL).


Talvez Zagonel não tenha escolhido ficar em cima do muro. Talvez tenham convencido o candidato de que, eleitoralmente, o muro seria o melhor lugar para ficar.

 

Se essa é mesmo a estratégia do marketing, as presenças — e principalmente as ausências — na palestra da ACIC acendem um sinal de alerta.


Porque uma candidatura a deputado federal não se constrói apenas em Concórdia. Precisa de partido, lideranças, prefeitos, vereadores e bases espalhadas pela região.

 

E, nesse caso, fica uma pergunta inevitável:

 

Será que, na tentativa de proteger Zagonel dos riscos de escolher um lado, o marketing não está empurrando sua candidatura para o isolamento?

 

Na política, ficar em cima do muro pode até evitar alguns arranhões.

 

O problema é quando o marqueteiro, tentando segurar o candidato lá em cima, acaba dando o empurrão para o abismo.