O desconvite ao pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), para o 7º Encontro Estadual do partido, marcado para 4 de julho em Joinville, transformou-se em uma das maiores crises internas já enfrentadas pelo Novo em Santa Catarina. O episódio, inicialmente tratado como uma reação do diretório estadual às críticas de Zema ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora ameaça diretamente a permanência de Kahlil Zattar na presidência da legenda catarinense.
Nos bastidores, dirigentes, pré-candidatos, ex-dirigentes e filiados passaram a articular um movimento para encaminhar ao Diretório Nacional um pedido de intervenção no partido em Santa Catarina e até mesmo a destituição de Zattar do comando estadual. O principal argumento é que a decisão de barrar Zema teria sido tomada sem consulta às lideranças e acabou expondo uma divisão interna em pleno período de preparação para as eleições de 2026.
A reação ganhou força depois que diretórios municipais começaram a divulgar notas públicas manifestando apoio a Zema e criticando a decisão da executiva estadual. Entre os municípios que se posicionaram estão São José, Tijucas, Pinhalzinho e Paulo Lopes. Em alguns casos, dirigentes chegaram a anunciar que não participarão do encontro estadual em Joinville enquanto o impasse não for resolvido.
Aliança com o PL está no centro da disputa
O pano de fundo da crise envolve a aproximação construída entre o Novo catarinense e o governador Jorginho Mello (PL). O principal articulador dessa parceria é o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo), apontado como possível candidato a vice-governador na chapa de reeleição do atual governador.
Parte da militância do Novo avalia que o desconvite a Zema foi uma tentativa de evitar desgastes com o bolsonarismo após as críticas feitas pelo presidenciável do partido a Flávio Bolsonaro. Já outro grupo defende que a legenda mantenha independência em relação ao PL e preserve o projeto presidencial próprio liderado por Zema.
Pressão nacional
A repercussão ultrapassou as fronteiras catarinenses. Lideranças de outros estados passaram a pressionar a direção nacional do Novo para intervir no caso. O entendimento de parte dos dirigentes é que o desconvite atingiu diretamente a principal liderança nacional da sigla e acabou fortalecendo o discurso de que o partido estaria abrindo mão de sua candidatura própria à Presidência.
Zema minimiza conflito
Durante uma transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (18), Romeu Zema procurou adotar um tom conciliador. Questionado sobre a resistência de setores do partido em Santa Catarina, afirmou que divergências existem em todas as regiões do país e que as diferenças de opinião fazem parte da vida partidária.
Apesar disso, o pré-candidato voltou a defender que o Novo mantenha sua postura histórica de combate à corrupção e independência política, sinalizando que não pretende recuar das críticas que deram origem ao impasse.
Futuro incerto
O que era para ser apenas um evento partidário em Joinville acabou abrindo uma disputa de grandes proporções dentro do Novo catarinense. Com diretórios municipais se rebelando, lideranças nacionais acompanhando o caso e uma petição pela destituição de Kahlil Zattar sendo articulada, o episódio ainda está longe de chegar ao fim.
Nos bastidores do partido, a avaliação é que a discussão já deixou de ser apenas sobre a presença de Romeu Zema no encontro estadual. A pergunta agora é outra: Kahlil Zattar conseguirá permanecer na presidência do Novo em Santa Catarina até as eleições de 2026?






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