A Câmara de Vereadores de Concórdia retoma as atividades legislativas na próxima segunda-feira (8) e um dos temas que deve voltar ao debate é a mobilidade urbana. Entre as proposições protocoladas para análise está a Indicação nº 255/2026, apresentada pelo vereador Edevandro da Rocha (PSD), que sugere à Prefeitura a realização de estudo técnico e jurídico para regulamentar a circulação de bicicletas elétricas, patinetes, scooters e outros equipamentos de mobilidade individual autopropelidos.
A proposta acompanha uma realidade cada vez mais presente nas ruas da cidade. O crescimento do uso desses equipamentos tem gerado questionamentos sobre segurança, velocidade, locais adequados para circulação e convivência com pedestres, ciclistas e motoristas.
A preocupação é legítima. Afinal, a legislação brasileira ainda busca se adaptar às transformações provocadas pelos novos meios de transporte urbano. No entanto, a indicação apresentada pelo vereador também abre espaço para uma discussão mais ampla sobre o futuro da mobilidade urbana em Concórdia.
O debate ganha relevância porque remete a uma decisão tomada pela Prefeitura e pela Câmara ainda no início desta legislatura. Na ocasião, o Executivo promoveu mudanças na utilização da infraestrutura cicloviária do município, transformando ciclovias em ciclofaixas compartilhadas em determinados períodos e reduzindo a exclusividade de espaços destinados aos ciclistas.
É justamente nesse ponto que surge uma questão central: onde irão circular as bicicletas elétricas, os patinetes e as scooters?
Se esses equipamentos não devem utilizar as calçadas por questões de segurança e as ruas do município continuam sendo ocupadas predominantemente pelos automóveis, a regulamentação por si só pode não ser suficiente para resolver o problema.
Em diversas cidades brasileiras e do exterior, o crescimento da mobilidade elétrica individual foi acompanhado pela ampliação de ciclovias e corredores destinados aos meios de transporte não motorizados. Em Concórdia, entretanto, a discussão recente caminhou em direção oposta, flexibilizando parte dos espaços originalmente criados para esse tipo de deslocamento.
Por isso, a indicação de Edevandro da Rocha pode acabar provocando um debate mais profundo do que a simples criação de regras. A questão não é apenas definir limites de velocidade, equipamentos obrigatórios ou penalidades. O verdadeiro desafio é discutir qual modelo de mobilidade urbana a cidade pretende adotar nos próximos anos.
Afinal, regulamentar é importante. Mas tão importante quanto criar normas é garantir que existam espaços adequados e seguros para que essas pessoas possam circular. A mobilidade urbana do futuro passa por essa discussão, e Concórdia parece estar diante dela mais uma vez.





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