Prefeitura de Brusque lança seleção para cargos comissionados com salários de até R$ 13 mil e cria modelo semelhante a “concurso sem prova”

A Prefeitura de Brusque lançou um processo seletivo para contratação de três cargos comissionados com salários de até R$ 13 mil, em um modelo considerado incomum na administração pública municipal.


Embora cargos comissionados sejam tradicionalmente preenchidos por livre nomeação do prefeito, sem necessidade de concurso público, o município decidiu abrir uma seleção baseada em análise curricular e entrevistas — formato que vem sendo chamado de uma espécie de “concurso para comissionados”, embora sem aplicação de prova.

 

As vagas abertas são para:

  • *Diretor-geral do Samae — salário de R$ 12.947,59;
  • *Diretor de Projetos na Secretaria de Parcerias, Concessões e Convênios — salário de R$ 10.528,05;
  • *Diretor na Fundação do Meio Ambiente (Fundema) — salário de R$ 10.528,05.


O processo foi anunciado pelo prefeito de Brusque, André Vechi (PL), que defendeu o modelo como uma forma de ampliar critérios técnicos na escolha de profissionais para funções estratégicas da administração.


Segundo o município, candidatos passarão por avaliação de currículo e entrevistas. As inscrições seguem abertas até 31 de maio.

 

A iniciativa chama atenção porque cargos comissionados, em regra, são considerados funções de confiança, sem vínculo permanente e de livre exoneração, ou seja, o ocupante pode ser dispensado a qualquer momento pela administração pública.

 

Modelo cria debate sobre “meritocracia” na gestão pública

 

A proposta abriu discussão sobre os limites entre nomeações políticas e profissionalização da gestão pública.

 

Na prática, o município mantém os cargos como comissionados — sem estabilidade e sem concurso público tradicional —, mas cria um processo seletivo para tentar estabelecer critérios técnicos mínimos para a ocupação das funções.

 

Especialistas costumam apontar que o modelo pode reduzir o desgaste político provocado por indicações puramente partidárias ou pessoais, ao mesmo tempo em que permite ao governo sustentar um discurso de gestão técnica e meritocrática.

 

Por outro lado, o formato também levanta questionamentos sobre a efetividade da seleção, já que entrevistas e avaliações curriculares podem ter critérios subjetivos e continuar permitindo influência política nas escolhas finais.


Outro ponto que gera debate é o fato de os aprovados continuarem sem estabilidade, já que os cargos seguem sendo de livre nomeação e exoneração.


Modelo já recebeu premiação


Segundo informações divulgadas pela própria prefeitura, este é o terceiro processo seletivo lançado pelo município para contratação de comissionados. Somadas as edições anteriores, mais de 2,3 mil pessoas participaram das seleções.


O formato chegou a render uma indicação de finalista ao Prêmio Brasil de Gestão Pública 2026, na categoria Gestão de Pessoas.


A administração municipal afirma que o objetivo é aproximar práticas de seleção utilizadas na iniciativa privada da estrutura da gestão pública.