Prefeitura rompe contratos de R$ 11 milhões após atrasos em obras; empresa era responsável por 25 das 100 ruas anunciadas em Concórdia

O prefeito Fábio Ferri (PL) anunciou na manhã desta quinta-feira (8), durante coletiva de imprensa, o rompimento de três contratos com a empresa R&S Prestadora de Serviços Ltda após atrasos considerados graves na execução de obras de pavimentação em dez bairros de Concórdia.

 

Os contratos rescindidos somam mais de R$ 11,1 milhões e atingem diretamente 25 ruas que estavam em obras ou aguardavam andamento dos serviços.

 

O número chama atenção porque a própria Prefeitura afirma atualmente possuir cerca de 100 ruas com obras em andamento no município. Isso significa que somente a empresa R&S era responsável por aproximadamente 25 das 100 ruas anunciadas pela administração municipal.

 

Na prática, um quarto de todas as ruas incluídas no pacote de obras divulgado pela Prefeitura estava concentrado sob responsabilidade da empresa que agora teve os contratos rompidos.

 

Prefeitura admite problemas nos cronogramas

 

Durante a coletiva, Fábio Ferri afirmou que a administração não irá aceitar lentidão ou descumprimento de cronogramas por parte das empresas contratadas.

 

Segundo informações da Secretaria de Comunicação da prefeitura, o processo legal para convocação das demais empresas participantes da licitação já foi iniciado e uma nova empresa deverá assumir os trabalhos nos próximos dias.

 

As obras afetadas estão distribuídas pelos bairros:

 

– Natureza

– Poente do Sol I

– Poente do Sol II

– Primavera

– Vila Jacob Biezus

– Cristal

– Industriários

– São José

– Estados

– Nações

 

A Prefeitura sustenta que os pagamentos estavam vinculados ao cumprimento das etapas previstas em cronograma e afirma que nenhum valor teria sido pago à empresa R&S.

 

Câmara já havia reconhecido cenário de abandono

 

O anúncio da rescisão ocorre um dia após a Página Quatro divulgar reportagem mostrando que a própria Câmara de Vereadores reconheceu oficialmente o cenário de abandono em parte das obras da cidade.

 

No Requerimento nº 111/2026, aprovado por unanimidade, os vereadores solicitaram que a Prefeitura realize manutenção emergencial em ruas afetadas por obras paralisadas ou atrasadas.

 

O documento cita problemas como:

 

– barro e poeira

– dificuldades de acesso às residências

– transtornos ao transporte escolar

– dificuldades na coleta de lixo

– riscos para pedestres

– problemas em atendimentos emergenciais

 

Os vereadores pediram serviços emergenciais de:

 

– patrolamento

– cascalhamento

– britagem

– compactação

 

O requerimento foi apresentado pelo vereador Wagner Bee e acabou assinado por todos os parlamentares da Câmara, incluindo vereadores da base do governo.

 

Pressão política cresce

 

Nos últimos dias, moradores passaram a divulgar imagens de ruas abertas, barro, poeira, máquinas desaparecendo dos canteiros e obras interrompidas em diferentes regiões da cidade.

 

A situação ampliou os questionamentos sobre:

 

– fiscalização das obras

– capacidade operacional das empresas

– planejamento dos cronogramas

– execução simultânea de dezenas de frentes de trabalho

 

Na coluna publicada pela Página Quatro, Seu Mércio ironizou o cenário ao afirmar:

 

“Botaram a carroça na frente dos bois.”

 

Agora, com o anúncio oficial do rompimento dos contratos, a própria Prefeitura admite publicamente que parte significativa das obras anunciadas entrou em situação crítica de execução. Informações palacianas indicam que esta ação é somente o começo de uma seria que estariam por serem tomadas pela administração.