Índice de alfabetização abaixo da meta e milhares de crianças fora da escola pressionam o Estado a rever foco das políticas públicas
Santa Catarina não atingiu a meta de alfabetização em 2025 — e o problema vai além do índice de 63% registrado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), abaixo dos 67% previstos. O alerta é estrutural.
O diagnóstico foi reforçado pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC), que classificou o cenário como crítico. E há um agravante: mais de 24 mil crianças entre 4 e 6 anos estão fora da escola.
Antes de discutir qualidade, o Estado ainda falha no básico — garantir acesso.
Estado precisa puxar o freio
A Constituição estabelece responsabilidades claras: a educação básica é prioridade. Municípios executam, mas o Estado tem papel decisivo na coordenação, no financiamento e na indução de políticas públicas.
O que os dados mostram é que essa engrenagem não está funcionando.
Há falhas na integração entre Estado e municípios, ausência de uma política contínua de alfabetização e problemas no acompanhamento dos resultados. E isso exige uma correção de rota imediata.
O Estado precisa puxar o freio de armação.
Inversão de prioridades
Enquanto a base apresenta fragilidades evidentes, o debate público tem sido dominado por programas voltados ao ensino superior, como o Universidade Gratuita.
O programa tem mérito e importância social. Mas não pode ocupar o centro da política educacional enquanto a base apresenta sinais de colapso.
Há, inclusive, distorções apontadas pelas próprias instituições de ensino: concentração de recursos em cursos de alto custo, como medicina, com mensalidades acima de R$ 10 mil, enquanto estudantes de outras áreas recebem menos apoio.
Antes, mecanismos como os artigos 170 e 171 distribuíam recursos de forma mais ampla entre diferentes cursos e perfis acadêmicos.
O problema está no começo
Sem alfabetização na idade certa, todo o restante do sistema educacional é comprometido. O aluno que não aprende no início carrega dificuldades ao longo de toda a trajetória.
E isso reforça um ponto que precisa ser dito com clareza: o ensino superior é importante, mas não é a principal responsabilidade do Estado.
A base é.
Pressão para 2026
Com a meta elevada para 70% em 2026, Santa Catarina entra no próximo ciclo sob pressão — e a educação precisa estar no centro dos planos de governo dos candidatos ao governo do Estado.
É preciso resgatar a base, fortalecer a alfabetização na idade certa e ampliar o investimento no ensino técnico, que dialoga diretamente com o desenvolvimento econômico e a realidade dos municípios.
Do jeito que está, não dá.






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