O dia em que Seu Mércio ligou para contar do prefeito que quase saiu no tapa numa comunidade do interior

No começo da semana, o telefone da Página Quatro tocou cedo.

 

Do outro lado da linha estava Seu Mércio, sempre ele, aquele velho contador de histórias do interior que conhece mais bastidor de política do que muito assessor de gabinete.

 

— “Amigos do bem, vou te contar uma dessas que se a gente não escuta de quem tava lá, nem acredita…”

 

Segundo ele, a história aconteceu recentemente, num domingo, em uma comunidade do interior. Daquelas reuniões simples, com moradores sentados em cadeiras de plástico, alguém reclamando da estrada, outro reclamando da fila da saúde que não termina nunca, e mais um perguntando quando é que alguma promessa antiga finalmente vai sair do papel.

 

Até aí, tudo dentro do normal.

 

Até que chegou o prefeito, estilo dono do mundo.  Quem concorda é considerado aliado.

Quem questiona vira adversário.

E quem insiste em contestar as narrativas oficiais acaba sendo tratado quase como persona non grata, seria melhor até que fosse embora da cidade.

 

— “Sabe como é…”, disse Seu Mércio.

 

Pois bem…

 

Lá pelas tantas, um morador resolveu confrontar as narrativas que não fecham.

 

Foi o suficiente para o clima mudar.

 

O prefeito, segundo o relato de Seu Mércio, resolveu bancar o macho no meio da reunião.

 

A conversa subiu de tom.

 

Teve dedo em riste, teve voz levantada e teve gente tentando apartar.

 

— “Olha… faltou muito pouco pra aquilo virar briga de verdade”, contou Seu Mércio.

 

Segundo ele, a tensão ficou tão grande que teve gente cogitando até ligar para o 190 para evitar que a discussão terminasse em vias de fato.

 

E enquanto a discussão esquentava lá no salão, lá do fundo da reunião, na copa da comunidade, dois camaradas que serviam refrigerante trocaram um olhar.

 

Um deles comentou baixinho para o outro:

 

— “Quem não conhece esse prefeito até compra por bom… mas olhando assim e observando bem de perto… é um baita de um 171.”

 

O outro só deu uma risadinha de canto de boca e continuou servindo os copos de refrigerante.

 

— Foi neste momento que perguntei. Mas afinal, quem era o prefeito?”

 

Bem nessa hora começou a chover forte.

 

O barulho da chuva aumentou, a ligação falhou… e o seu Mércio ficou nos devendo o nome do cidadão.